Os odontologistas da rede pública de Cuiabá, em greve há mais de 50 dias, cogitam paralisar o atendimento à população até no setor de urgência e emergência, o único que não havia parado até então. Pelo menos era o que a categoria pautou para discussão ontem à noite, em assembleia do Sindicato dos Odontologistas (Sinodonto). O motivo era a falta de uma nova proposta de negociação salarial, que a prefeitura tinha se comprometido de apresentar até ontem. Segundo o presidente do Sinodonto, Gustavo de Oliveira, a categoria radicaliza porque não tem sido devidamente correspondida pela prefeitura nas negociações. Não tinha porque ficar assim, lamenta. Até o momento, cerca 70 mil atendimentos deixaram de ser realizados por conta da paralisação dos profissionais, que pleiteiam um aumento salarial de R$ 847,20 para R$ 1.100. Já segundo o secretário municipal de Saúde, Maurélio Ribeiro, o único comentário é de que a paralisação no setor de urgência e emergência, por parte dos odontologistas, encontra barreira na própria legislação que versa sobre greves no setor da Saúde. Ontem, representantes do Sinodonto estiveram reunidos com os promotores Alexandre Guedes e Célio Fúrio a fim de obter apoio do Ministério Público Estadual (MPE), sugerindo uma ação contra a prefeitura e o Estado que os obrigue a pagar o tratamento odontológico à população na rede privada enquanto o imbróglio entre a categoria e a administração municipal não se encerrar. Hoje, os odontologistas se reúnem com lideranças comunitárias e do MPE a fim de buscar apoio no enfrentamento das atuais condições de trabalho e salariais.