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CIDADES
Sábado, 10 de Outubro de 2009, 18h:05

Demais funcionários recebem indenização por danos

A peculiaridade do caso de Anderson da Rocha se deve justamente à sequência de decisões favoráveis aos trabalhadores que, com ele, sofreram ofensas do mesmo supervisor na fábrica onde eram empregados. O mesmo advogado que assessorou Rocha juridicamente encaminhou processos dos colegas e, em todos os casos, os desembargadores consideraram a ocorrência de danos morais a serem compensados por meio de indenizações. Nesses processos, encontram-se relatos tão absurdos quanto os de Rocha sobre o mesmo ambiente de trabalho. De acordo com o depoimento de outro ex-trabalhador, o supervisor da parte de Embalagem Secundária (conhecido apenas como senhor Alexsander), atuava diariamente com pressão psicológica e pequenas chantagens. Ele “saía com um caderninho, de um em um, perguntando se viria trabalhar no domingo ou feriado, e quando a pessoa dava a resposta não ia, ele saía meio chateado; mas aí, na próxima segunda-feira ele chamava todos aqueles que não foram trabalhar naquele domingo ou feriado, reunia-os nos fundos, e falava que não precisavam contar com ele, que se precisassem dele para resolver algum problema pessoal, que não podia contar com ele”. O supervisor também reclamava do fato de os funcionários serem “movidos somente a dinheiro” e não terem “amor à empresa”. Em outra ocasião, humilhou a condição financeira deles: “Garanto que nenhum de vocês tem R$ 1 mil no bolso agora, e eu garanto que eu tenho esses R$ 1 mil”, falou, com a boca espumando nos cantos, segundo depoimento. No mesmo depoimento, o ex-funcionário conta que todos na fábrica souberam das ofensas e que a equipe virou motivo de piada na fábrica. “Quando encontravam colegas de trabalho de outros setores nos ônibus ou em outros locais, falava assim ‘olha lá o bando de ratos, de mercenários’”. (RD)

Edição EDIÇÃO 16967




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