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CIDADES
Quinta-feira, 06 de Novembro de 2008, 20h:38

POLÍCIA CIVIL

Delegados cogitam greve

Circunstâncias em que a maioria trabalha em MT, além de problemas na carreira, são foco da insatisfação da classe

ALEXANDRE APRÁ E ADILSON ROSA
Da Reportagem
Após o término do movimento de paralisação dos investigadores da Polícia Civil, que durou cinco dias, agora são os delegados que cogitam a possibilidade de entrar em greve. O assunto, já debatido anteontem na sede do Sindicato dos Delegados de Mato Grosso (Sindepol), volta à pauta na próxima semana, em nova assembléia da categoria, que preferiu aguardar mais um período para manter diálogo com o governo. “Se não houver avanços, a categoria está disposta a tomar uma atitude mais forte”, disse Dirceu Lino, presidente do Sindepol. Segundo o sindicalista, os delegados cobram reestruturação da carreira e, principalmente, condições de trabalho. “Não tenho dúvida que entre 50% e 60% da população mato-grossense não recebem andamento em inquéritos policiais por conta da falta de efetivo e de estrutura da polícia”, disse. Segundo o delegado, 46 municípios do Estado não têm delegacias. Ele explicou que em 1988, Mato Grosso tinha 76 municípios, uma população de pouco mais de um milhão de habitantes e 213 delegados. Vinte anos depois, o Estado tem 141 municípios, 205 delegados e uma população de aproximadamente três milhões de habitantes. “Isso é um absurdo”, sintetizou. Em desabafo, o delegado regional de São Félix de Araguaia, Ronan Gomes, comparou à escravidão o trabalho dos delegados, escrivães e policiais na região onde atua, pois a falta de efetivo compromete o trabalho. Em entrevista por telefone à TV Centro América, disse não ser possível responder por 13 Delegacias de Polícia da região. Uma delas, de Santa Cruz do Araguaia, está localizada a mais de 500 quilômetros de distância, ligada por estrada de chão. “É uma sobrecarga de trabalho para delegados, escrivães e investigadores. Isso é escravidão. Isso é escravidão”, desabafou. “Não posso sair daqui (de São Felix) porque vai chover. Vai chover problemas”. “A coordenação está sendo feita por telefone. Quando tem flagrante, o que acontece? Vai fazer tudo o que tem que fazer lá. As testemunhas passam fax. E o que acontece? Relaxamento da prisão. Assim não dá, é impossível”, finalizou. Dirceu Lino completou: “Em 21 anos que sou delegado, a segurança pública nunca foi tratada com tanto descaso a ponto de chegar nesse estrangulamento”, desabafou. Para ele, o governo não tem uma política de planejamento. Dirceu também criticou a falta de estrutura das delegacias e Ciscs. Na opinião dele, o Núcleo Sistêmico de Segurança, criado pelo governador Blairo Maggi para resolver as questões administrativas é totalmente ineficiente. “Tem vezes que um cartucho que pedimos pra comprar demora meses. O governo acha que a polícia tem a mesma morosidade dos outros órgãos do Estado. Não é assim. Quando precisamos prender alguém, ou intimar alguém, tem que ser naquela hora”, explicou. Para ele, a prova disso foi o corte das ligações para celular nos Ciscs determinada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), que emperra as investigações de crimes.

Edição EDIÇÃO 16967




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