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CIDADES
Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010, 20h:20

CASO ANA

Delegado estuda indiciar candidato

ADILSON ROSA
Da Reportagem
O delegado Márcio Pieroni deverá indiciar o comerciante e candidato a deputado federal Davi Nascimento como participante do assassinato da corretora de imóveis Ana Cristina Wommer. Ela foi morta em agosto, aos 24 anos de idade e grávida de oito meses. O delegado informou que o candidato caiu em contradições na acareação realizada ontem de manha na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) entre ele, o soldado PM da Rotam Claudemir Nunes Sales – principal suspeito - e a esposa do militar, Juliana Alice Becker. “Foram muitas contradições na acareação entre os três. Ainda não sabemos exatamente em qual etapa do crime ele (Davi) participou, mas é um dos envolvidos”, informou. A acareação ocorreu de dois em dois, evitando que os três se encontrassem ao mesmo tempo. Até agora somente o PM foi indiciado pela morte da corretora. Ele está preso no Cadeião de Santo Antonio de Leverger após ter a prisão temporária decretada. Conforme o delegado, a acareação confirmou que o crime foi premeditado, uma vez que o comerciante procurou o PM ainda no domingo para negociar o Gol preto, usado para transportar o corpo de Ana Cristina. A esposa do PM desmentiu o comerciante e o soldado a respeito do encontro deles, ocorrido na casa do militar, horas após o crime. Diante de várias contradições, o delegado marcou para a próxima segunda-feira um novo depoimento do candidato a deputado federal. Davi foi ouvido no início do mês após confirmar que escondeu o Gol preto em sua oficina, mas que não sabia que se tratava de um carro usado numa execução. O delegado tenta buscar provas da participação de Davi como cúmplice do militar na morte de Ana Cristina. No entendimento de Pieroni, o militar não agiu sozinho, pois a vítima não apresentava lesões externas, nem nas unhas, como forma de reação. “Caso a vítima tenha sido morta com uma sacola plástica na cabeça, sendo sufocada, alguém ajudou o autor, pois a vítima não se debateu. Foi um crime de profissional, pois não deixou uma marca”, observou o delegado. No momento em que era sufocada, Ana Cristina entrou em trabalho de parto. No entendimento de Pieroni, houve um duplo homicídio. O laudo de necropsia aponta ainda que a criança passou com vida pelo canal de parto, mas morreu por falta de ar. Desde a localização do cadáver, no dia 24 de agosto, o delegado tenta encontrar indícios de que mais de uma pessoa participou do crime, além do soldado Sales. “Ele (Sales) é o principal suspeito de ser o autor do duplo assassinato, mas não agiu sozinho”. Para o delegado, a apreensão do carpete do porta-malas do Gol preto de placas AQR 1920, de São José dos Pinhais (PR), pertencente ao policial militar, é mais uma prova de que Ana Cristina foi colocada no veículo e jogada num terreno após o Distrito Industrial, na saída para Rondonópolis.

Edição EDIÇÃO 16967




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