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CIDADES
Quinta-feira, 14 de Junho de 2007, 20h:28

TRÁFICO DE PESSOAS

Cuiabá tem rotas emergentes e concentra muitos caminhos

KEITY ROMA
Da Reportagem
O tráfico de mulheres e adolescentes continua sendo preocupante na região Centro-Oeste, segundo a coordenadora do grupo Violes, da Universidade de Brasília (Unb), Maria Lúcia Pinto Leal. A estudiosa apontou ontem que Cuiabá possui rotas emergentes e concentra grande parte dos caminhos por onde são levadas para outros estados ou países as vítimas aliciadas para exploração sexual. O debate acerca do assunto aconteceu durante o primeiro dia do Seminário Regional da Associação Brasileira de Magistrados e Promotores de Justiça da Infância e da Juventude, realizado na Capital. Os dados são antigos, pois há seis anos não são realizados novos estudos sobre o tema no Brasil. Contudo, eles apontam que no Centro-Oeste já existiam, em 2002, 33 rotas utilizadas. “Ao longo desses anos, a situação não mudou muito, mas teve um aumento”, disse Maria. Os destinos mais comuns são Portugal, Espanha, Itália e Alemanha. Também há os casos de tráfico interno, quando as vítimas são levadas para outras cidades ou estados do país. O perfil das mulheres que acabam viajando para outros locais é quase sempre o mesmo, segundo a Pesquisa Sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual Comercial. As faixas etárias variam de 15 a 17 anos e de 22 a 24. Grande parte delas é afro-descendente, vem de classes baixas, possui baixo nível de escolaridade e passa necessidades. Os criminosos que as induzem a serem exploradas sexualmente também tem muitas características em comum. Dos 161 que foram analisados na pesquisa, 109 eram brasileiros e 59% do sexo masculino, com idade entre 20 e 56 anos. Porém, algumas mulheres também estão começando a integrar essas quadrilhas, geralmente a idade delas varia de 20 a 35. “Após o estudo é que estamos conseguindo avanços, pois foi lançada a Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e falta ser assinado o Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas”, apontou Maria. Hoje, outros temas ligados à infância e à juventude, como violência e contraste racial, serão debatidos no encontro.

Edição EDIÇÃO 16964




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