CIDADES
Terça-feira, 17 de Julho de 2012, 22h:03
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SAÚDE
Cuiabá tem 70 clínicas de estética
Entidades médicas criticam boom estético e questionam falta de preparo de profissionais que fazem os procedimentos, considerados invasivos
STÉFANIE MEDEIROS
Da Reportagem
O episódio envolvendo a clínica de estética Plena Forma, onde 22 mulheres se infectaram na semana passada, chamou a atenção para o crescimento desses estabelecimentos, e abriu espaço para a questão de seus profissionais estarem ou não aptos a realizar os procedimentos oferecidos ao público. Em Cuiabá, existem ao menos 70 estabelecimentos. Segundo resolução do Conselho Federal de Biomedicina, as unidades regionais estão autorizadas a registrar e habilitar seus profissionais na área da estética. Depois de registrados, eles podem realizar, dentre outras atividades, procedimentos invasivos cirúrgicos, mesmo não possuindo formação médica adequada para tal. Com esta resolução em vigor, casos como os da clínica Plena Forma tornam-se cada vez mais comuns. As pacientes, com o objetivo de tratar de gorduras localizadas, submeteram-se a um processo invasivo de aplicação de enzimas, que ajudam na dissolução da gordura. O resultado dessas sessões, ao contrário das expectativas, foi a contaminação. A infecção se deu por bactérias multi-resistentes, e pode ter causa tanto nos produtos, que foram recolhidos para análise, quanto no processo de aplicação das enzimas, por inabilidade dos profissionais que realizaram as sessões. Esses profissionais de clínicas de estética não são médicos, são pessoas leigas fazendo um papel para o qual não têm formação, disse o presidente da regional da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) de Mato Grosso, Edison Martins. Segundo ele, assim como os médicos não podem atuar fora da área da medicina, os esteticistas ou biomédicos também não podem atuar fora de seus campos de estudo. Nós queremos apenas salientar nossa indignação, pois somos contrários a tudo isso, disse em entrevista por telefone. Conforme relatou Martins, há todo um processo para um médico dermatologista entrar no mercado. Ao longo de sua formação, o profissional é capacitado a realizar diversos procedimentos e também a tratar dos pacientes que tiverem reações. Para um dermatologista entrar no mercado, ele deve, após a graduação no curso de medicina, fazer residência, curso de pós-graduação e uma prova de título da SBD. É também o que afirma a presidente do Conselho Regional de Medicina, Dalva Alves das Neves, alertando para o fato de que as pessoas têm que ter consciência quando decidem fazer um tratamento estético. Se eu quiser aplicar botox, por exemplo, eu não vou aplicar em qualquer clínica, eu devo procurar um médico especializado, explicou. Outro problema apontado por Neves é que, mesmo que os profissionais estejam habilitados a realizar certos procedimentos, eles não possuem conhecimento médico para socorrer o paciente que tenha qualquer tipo de reação. Nesses casos, não há nada que o esteticista saiba fazer, e ai sempre correm para os médicos consertarem.