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CIDADES
Quarta-feira, 26 de Setembro de 2012, 21h:20

FALSIDADE

CRO notifica 15 dentistas ilegais

Nos últimos 10 dias foram retirados do mercado seis profissionais que atuavam sem diploma. Parte era prático e o restante estudante

Laura Nabuco
Da Reportagem
O Conselho Regional de Odontologia (CRO) identificou 15 falsos dentistas atuando em Mato Grosso desde o início do ano. Só nos últimos 10 dias seis profissionais sem diploma foram encontrados. O último caso ocorreu em Alto Garças (distante 357 quilômetros de Cuiabá). Dezalides Alves Martins, de 47 anos, foi presa em flagrante nesta terça-feira (25). Com um registro de técnica de saúde bucal – profissional capacitado apenas para procedimentos simples -, ela mantinha um consultório no centro da cidade, onde realizava consultas, restaurações e outros tratamentos odontológicos. Conforme a Polícia Civil, está não foi a primeira vez que Dezalides foi presa sob a mesma acusação. Ela já havia sido detida anteriormente por exercício ilegal da profissão. Conforme o gerente do CRO, Rogério Luiz Gialle, casos como estes, em que os falsos dentistas mantêm consultórios com fachadas, são raros. A maior parte deles atua em suas próprias casas e só conseguem ser encontrados pelo Conselho ou pela polícia mediante denúncia da população. “Os consultórios mesmo são montados apenas por aqueles mais ousados. Nesta operação que fizemos só identificamos três: esta de Alto Garças, um em Guiratinga e outro em Barra do Bugres. A maioria atende em casa. Os pacientes conhecem porque a informação corre de boca em boca”, explica o gerente. A maioria dos casos é identificada no interior do Estado, conforme Gialle, em cidades pequenas. Dos 15 falsos profissionais encontrados desde o início do ano, apenas dois trabalhavam em Cuiabá. Os falsos profissionais são, em geral, estudantes de odontologia que ainda não concluíram a faculdade ou pessoas que aprenderam a profissão com parentes que eram dentistas. Segundo a assessoria da Polícia Civil, os autuados podem responder pelo crime em liberdade. Ao serem pegos em flagrante, são encaminhados à delegacia onde assinam um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), em que se comprometem a comparecer às audiências do processo. A orientação do CRO à população é procurar saber a origem do dentista junto ao conselho antes de qualquer tratamento. “Essas informações podem ser passadas por telefone. Basta ter o nome do profissional”, diz Gialle. Entre os riscos do tratamento com alguém que não passou pela devida formação, o gerente do CRO cita procedimentos mal feitos e até infecções, entre elas a AIDS. “Muitos destes falsos dentistas não se preocupam com a esterilização do material e nem usam luvas. Estes descuidos podem transmitir vírus como o HIV de um paciente para o outro”, alerta.

Edição EDIÇÃO 16963




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