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CIDADES
Quinta-feira, 25 de Outubro de 2012, 22h:28

SAÚDE BUCAL

Crianças cuiabanas têm mais caries

Dado da SB Brasil revela a falta de vontade política em adoção de ações básicas na área como a inserção de dentistas no PSF

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Em Cuiabá, crianças aos cinco anos de idade já têm, em média, mais de três dentes cariados. O dado faz parte da Pesquisa Nacional da Saúde Bucal (SB Brasil), realizada em 2011, pelo Ministério da Saúde (MS) e supera os índices das outras capitais, além do Distrito Federal. O mesmo ocorre aos 12 anos idade. Nesta faixa etária, a prevalência de dentes cariados, perdidos e obturados (CPOD) de um total de 32 é de 2,84 dentes. Em Campo Grande, o índice é de 2,07, em Goiânia de 2,24 e, no Distrito Federal, de 1,49 dentes. O dado revela a falta de vontade política em adoção de ações básicas na área. Uma delas é a falta de colocação de flúor na água fornecida à população, ou seja, Cuiabá não tem água fluoretada. “O flúor ajuda na mineralização do dente e ajuda a diminuir o índice de cárie”, informou o técnico da Coordenação de Saúde Bucal do município, cirurgião-dentista José de Figueiredo Loureiro Júnior. Outro fator importante é a falta de dentistas nas unidades do Programa de Saúde da Família (PSFs), conforme é estabelecido pela Política Nacional de Saúde Bucal. Na contramão, a capital mato-grossense é a única do país que ainda não conta com equipes na área atuando nos PSFs. Apenas o PSF do Distrito da Guia, área rural da Capital, conta com uma equipe para atender a comunidade. Conforme José de Figueiredo, a proposta da política nacional é que os serviços de atenção básica da área como restauração, limpeza e extração sejam feitos nos PSFs. Já as clínicas atenderiam especialidades como próteses, endodontia, periodontia, cirurgia buco-maxilo-facial, entre outros. Como consequência a baixa cobertura da população. Atualmente, a oferta dos serviços prestados pela administração chega a apenas 30% da população Cuiabá. Isso significa dizer que 70% não têm cobertura. “O serviço é limitado, mas temos uma pesquisa de satisfação que mostra que a maioria dos usuários avalia o serviço como satisfatório”, ponderou. Exemplo disso é a doméstica Maria Auxiliadora de Souza, 41 anos. Ela passou a noite com dor de dente e conseguiu atendimento ontem pela manhã na Clínica Odontológica, que fica no Dom Aquino. “O atendimento é bom, foi rápido”, disse. No local, conforme o responsável e cirurgião-dentista Leandro Américo Kincheski, são realizados 60 atendimentos ao dia. A clínica atende 20 bairros, contemplando uma população de aproximadamente 30 mil pessoas. Além das 10 clínicas odontológicas (três delas com plantões 24 horas) destinadas ao atendimento da população, José de Figueiredo destaca ainda o funcionamento de quatro centros de especialidades dontológicas (CEOs) e o Serviço Atendimento Especializado a Pacientes Especiais, além de programas paralelos como o de palestras e distribuição de kits com escova, creme e fio dental às crianças das escolas municipais e o tratamento restaurador atraumático.

Edição EDIÇÃO 16969




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