CIDADES
Quinta-feira, 26 de Setembro de 2013, 20h:27
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GREVE DOS BANCOS
Cresce atendimento nas lotéricas
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
A greve dos bancários já dura oito dias e os clientes das agências estão migrando para as casas lotéricas. A estimativa dos proprietários de estabelecimentos localizados em Cuiabá é de que o número de atendimentos aumentou até 30%. Os serviços mais procurados são saques e pagamentos. "Embora estejamos no fim de mês, quando o movimento é mais parado, notamos sim que houve um aumento no movimento", disse a proprietária da Casa Lotérica Teimozinha, que fica no Centro. Segundo ela, um dos problemas tem sido contas em atraso. "Muitos não entendem e ficam nervosos", comentou. "Uma das nossas orientações é para que a pessoa procure o correspondente do banco", acrescentou. Da Lotérica Brasil, no Porto, Lizabeth Okabe também reconhece que a clientela aumentou. "Tem sido maior o volume de saques e pagamentos. Dependendo do banco, o saque pode chegar até a R$ 1.500,00", frisou. A universitária Juracy Bandeira, 21 anos, foi uma das pessoas que recorreu à casa lotérica. "Muitos serviços têm como você fazer pela internet ou pelo auto-atendimento, mas outros não têm jeito. A gente paga juros altos e ainda enfrenta transtornos", criticou. A greve do bancários iniciou há mais de uma semana. De acordo com o presidente do sindicato da categoria (SEEB/MT), José Maria Guerra, 100% das 137 agências localizadas na Capital e em Várzea Grande estão fechadas. "A greve continua e o movimento avança no interior de Mato Grosso", afirmou. No Estado, são 396 estabelecimentos bancários. Além de reajuste salarial de 11,9%, a categoria cobra melhores condições de trabalho, mais segurança, menos demissões e mais contratações. Até ontem, conforme Guerra, a Federação Nacional dos Banqueiros (Fenaban), entidade sindical que representa os bancos, não havia apresentando nova proposta. A última foi reajuste salarial de 6,1%, que, segundo a Fenaban, corrigirá salários, pisos e benefícios, além de manter a mesma fórmula de participação nos lucros, com correção dos valores fixos e de tetos em 6,1%, entre outros. Guerra explica que representantes do movimento nacional estão reunidos hoje e vão decidir sobre os novos atos. Ele afirma ainda que os bancos estão entrando na Justiça em busca do interdito proibitório. Caso o recurso seja concedido, os grevistas são obrigados a sair das proximidades das agências. O sindicalista relata que os banqueiros alegam na Justiça que os manifestantes impedem os clientes de entrar. Na análise de Guerra, os banqueiros já costumam impedir os clientes de entrar nas agências. Ele esclarece que para não contratar mais funcionários, deixam bancários na porta de acesso para encaminhar as pessoas para o autoatendimento e ainda para lotéricas e postos de serviços. Assim, reduzem os custos, mesmo que para isto, tenham que descumprir a legislação.