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CIDADES
Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008, 20h:10

ENSINO SUPERIOR

Cotas raciais são bem-vindas na UFMT

Reitora da instituição diz que aprova medidas de inclusão, desde que cada universidade tenha autonomia para distribuir o percentual de vagas

DANA CAMPOS
Da Reportagem
A aprovação do projeto de lei que estabelece cotas raciais e sociais nas universidades públicas federais de todo o país, ocorrida nesta quinta-feira, foi recebida positivamente pela reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Entretanto, a reitora da UFMT, Maria Lucia Cavalli Neder, assim como demais dirigentes de instituições federais, consideram que para que seja implantada a política de cotas, cada universidade tem que ser autônoma para decidir o percentual de vagas que será destinado aos cotistas. De acordo com o atual texto do projeto de lei, 50% das vagas serão reservadas para estudantes oriundos de escolas públicas. Destas, 25% vão ser destinadas a pessoas de baixa renda e a outra metade, distribuída por critérios raciais – entre negros e índios. “Somos favoráveis a toda política de democratização do acesso ao ensino superior e inclusão social. Mas, desde que tenhamos autonomia para determinar quanto e como serão distribuídas as vagas”, disse Maria Lucia. De acordo com o presidente da Associação dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Amaro Lins, para haver uma política de cotas é preciso avaliar as condições de cada instituição de ensino, e não apenas garantir um número fixo de vagas por meio de uma lei. No meio acadêmico, a notícia da aprovação gerou controvérsias. Há quem acredite que a política de cotas é um mecanismo que vai possibilitar maior acesso de pessoas negras e pobres a universidades públicas. Como é a avaliação da estudante do curso de Pedagogia, Cleonice Ferreira do Nascimento, de 22 anos. Ela é negra e acredita que a política de cotas é uma oportunidade que o governo está proporcionando para que pessoas negras e de baixa renda possam ingressar numa universidade pública. “É uma ascensão social”, disse acreditar. No entanto, comentou a estudante, há muita gente que não aceita esse tipo de inclusão. “Mas elas se esquecem de ver qual a real posição dos negros na sociedade – na cadeia, empregos com baixa remuneração, etc.”, pontuou. “Elas acham que ter cota é um privilégio para nós (negros). Mas se esquecem que há mais de 400 anos eles (brancos) tiveram privilégios que os negros não tiveram”, concluiu. As estudantes do curso de Ciências Biológicas Juliane Dias Dadalto, de 21 anos, e Suzanny de Souza Toledo, de 22, brancas, avaliam que a política de cotas não é questão de privilégio, mas, sim, de preparo. “Colocar uma pessoa despreparada numa universidade não vai representar um avanço na educação. O que vai ocorrer é que as universidades vão formar maus profissionais”, apontou Suzannny. “A escola pública é falha, sim. Mas não significa que quem estuda nela não consegue entrar numa universidade pública. Isso depende do esforço de cada estudante”, frisou a jovem. Para entrar em vigor, o projeto ainda deverá ser sancionado pela Presidência da República.

Edição EDIÇÃO 16962




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