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CIDADES
Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007, 21h:34

HOMICÍDIOS

Colniza é 1° lugar

Estudo da OEI mostra que município de MT registrou maior incidência de execuções em todo o país entre 2001 e 2004

RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
Mato Grosso tem quatro municípios entre os dez primeiros do ranking nacional de homicídios. Colniza e Juruena, localizados no extremo-norte do Estado, ocupam respectivamente as duas primeiras colocações, com índices três vezes superiores aos registrados no Rio de Janeiro e em São Paulo. A lista foi produzida pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) e divulgada ontem por meio das quase 200 páginas da publicação “Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros”. A fonte são os registros do Ministério da Saúde, em um universo de 5,5 mil municípios. “Este mapa busca aprofundar as investigações sobre um fenômeno que há muito deixou de pertencer apenas aos grandes centros urbanos. A interiorização da violência vem-se revelando como mais um desafio para toda a sociedade brasileira”, diz um trecho do estudo. Segundo o estudo, Colniza (1.044 quilômetros de Cuiabá) atingiu, entre 2001 e 2004, uma taxa de 165,3 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Já a vizinha Juruena, obteve a segunda pior colocação nacional, com taxa de 137,8, segundo a mesma comparação. No ranking, a capital que mais se aproxima destes números é Recife (PE), que atingiu apenas a 13ª colocação, com taxa de 91,2. Outros municípios mato-grossenses citados entre os dez mais violentos foram Santa Cruz do Xingu (5º) e Aripuanã (8º). “No interior, vem-se reproduzindo o ambiente violento das metrópoles. A responsabilidade por esse quadro é de todos: poder público, setor privado e terceiro setor. Portanto, coibir a violência é um desafio de toda a sociedade”. MIGRAÇÃO – A região de Colniza é o alvo de um dos maiores fluxos migratórios já registrados em Mato Grosso desde a década de 1970. Desde 2000, a prefeitura local estima que a população tenha saltado de 13 mil para algo em torno de 40 mil habitantes. Com base nesta peculiaridade, a secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) divulgou nota contestando os números da OEI (ver matéria). Para o comandante do Destacamento da Polícia Militar na cidade, tenente Ednaldo José dos Santos, a situação já foi superada. “Não conheço o estudo, mas acredito que os números sejam antigos. Desde 2004, o crime diminuiu muito por aqui. Antes, por conta das disputas por madeira e os conflitos de terra, a violência era muito maior”. O prefeito de Colniza, Adir Ferreira de Souza, a ocupação desordenada e a falta de ação do Poder Público é que motivaram a escalada da violência. “Quando se criou o assentamento de Colniza, vieram para cá pessoas de bem e os aproveitadores. O Incra nunca se mobilizou para resolver a situação, e então surgiram os conflitos e as mortes”. Neste ano, a PM já registra quatro homicídios. O último deles, há menos de uma semana, motivado uma briga por terras. Segundo a OEI, Colniza também lidera o ranking nacional das mortes provocadas por armas de fogo, 131,6 por 100 mil habitantes.

Edição EDIÇÃO 16956




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