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CIDADES
Quinta-feira, 25 de Abril de 2013, 20h:33

CUIABANIA

Chefes de família são conservadores

Entrevistados dizem que a fé em Deus é essencial se ter uma vida correta e ainda afirmam que a infidelidade e o aborto são imorais

HELSON FRANÇA
Da Reportagem
Os chefes de família de Cuiabá são tementes a Deus, divididos quanto à união de casais homossexuais, acham que infidelidade conjugal seja algo mais imoral que aborto – que também são contra -, se preocupam mais em manter as contas em dia do que qualquer outra coisa e consideram o Exército a instituição mais confiável da cidade. “Classificaria os chefes de família de Cuiabá como conservadores. Pelo menos é o que os dados revelam”, afirmou a socióloga Miriam Braga, diretora de Pesquisas da Vetor, empresa responsável por realizar um estudo, divulgado nesta quinta-feira (25), sobre o que pensam os líderes familiares da Capital. Conforme o estudo, onde foram ouvidas 500 pessoas de todas as regiões da cidade, 78,8% dos entrevistados consideram necessário acreditar em Deus para se ter uma vida correta. Já para a maioria esmagadora (91%) dos chefes de família, o Exército fica na frente dos Bombeiros e da própria Família como a instituição de maior confiabilidade. Miriam cita, nesse caso, o apelo televisivo exercido por uma novela para justificar essa constatação. “O resultado pode estar ligado à influência da atual novela da Globo, Salve Jorge, que possui um personagem que fortalece a imagem do Exército de forma positiva”, avaliou. Em último lugar no ranking da confiabilidade figuram os políticos e os partidos. A união entre casais do mesmo sexo é um tema que divide opiniões entre os chefes de família de Cuiabá. Quando se questiona a igualdade de direitos civis entre heterossexuais e homossexuais, 33% dos entrevistados afirmam não aceitar a possibilidade, mas 39,4% são a favor da ideia. Morador de Cuiabá há mais de 35 anos, o carioca Geraldo Vitorino, que no próximo mês completa 80 anos, se encaixa no perfil conservador apontado na pesquisa. Frequentador regular da mesma igreja – do Rosário, uma das mais tradicionais da Capital – há 20 anos, ele é contra a união de homossexuais e diz que só não entrou no Exército por que a mãe não permitiu, devido à morte do pai. “Se eu entrasse provavelmente não teria mais saído. Gosto demais da farda, da noção de disciplina. Toda vida fui disciplinado”, diz. O estudo também evidenciou que para a maioria dos chefes de família de Cuiabá a falta de diálogo e respeito é a principal causa de divórcios. Há 10 anos, problemas financeiros eram apontados na pesquisa como os principais motivos de separações. “Isso está relacionado ao fato de, nesse período, a mulher ter conquistado mais espaço no mercado de trabalho”, argumenta Miriam. Denominada de “Nossa Casa”, o levantamento é realizado a cada dois anos desde 1999. O objetivo, conforme a Vetor, é traçar um diagnóstico da cidade durante o período de comemoração do aniversário de fundação de Cuiabá e também qualificar profissionais para atuarem nas atividades de pesquisa de opinião. A cada edição, um tema especial é definido para a investigação. Nesta edição, a maior parte dos entrevistados é mulher e tem entre 20 e 39 anos.

Edição EDIÇÃO 16967




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