Em greve há sete dias, ontem pela manhã os bancários se reuniram em assembléia extraordinária na porta do Bradesco da rua Barão de Melgaço e conseguiram paralisar parcialmente a principal e maior agência da rede no Estado. No encontro em que trabalhadores e populares compartilharam de um café da manhã, os bancários decidiram fortalecer o movimento grevista e combater o que classificaram como pressão patronal para o retorno ao trabalho. O diretor jurídico do Sindicato dos Bancários de Mato Grosso (SEEB), Eduardo Alencar, denunciou que diretores de bancos estariam telefonando para os funcionários ameaçando-os de demissão, caso não retornassem ao trabalho. Esse procedimento teria como pretexto as decisões de interdito proibitório obtidas judicialmente por alguns bancos. Segundo Alencar, a medida assegura o acesso ao local de trabalho daqueles que não aderiram à greve, mas não obriga a volta de quem optou pela paralisação. Pelas contas do SEEB, ao menos 80 agências bancárias continuam fechadas em Cuiabá e Várzea Grande. O presidente da entidade, Arilson Silva, disse que o sindicato ainda não concluíu o levantamento sobre a adesão dos trabalhadores do interior do Estado. As agências dos grupos Itaú/Unibanco e Santander/Real reabriram as portas com ajuda de liminares obtidas na Justiça. Na segunda-feira, o sindicato ingressou com uma ação junto ao Tribunal Regional do Trabalho a fim de garantir a continuidade do movimento de greve no Estado. Silva informou que também na segunda-feira, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) acenou com a possibilidade de abrir as negociações com a categoria. O sinal foi o encaminhamento da primeira resposta aos ofícios encaminhados pela comissão de negociações da Federação dos Trabalhadores. A expectativa dos bancários é que nesta quarta-feira aconteça o primeiro encontro pós-deflagração da greve para discutir a pauta de reivindicações. Encaminhada em agosto, data-base de negociações salariais dos bancários, a pauta foi discutida em seis reuniões sem que se chegasse ao acordo. A categoria quer 10% de ganho real, percentual referente à soma das perdas e recomposição da inflação acumulada nos últimos 12 meses. Além disso, os bancários pedem adicional de 40% do salário por risco de vida para quem trabalha em agências e postos, a exemplo de acordos coletivos de vigilantes, abertura de novos postos de trabalho, igualdade de oportunidades e mais segurança no trabalho.