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CIDADES
Sexta-feira, 11 de Julho de 2008, 21h:06

PROTESTO

Ato condena a criminalização do MST

Trabalhadores rurais, sindicalistas e estudantes realizaram ato público, no centro de Cuiabá, em protesto contra a criminalização do MST

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Trabalhadores rurais e membros de movimentos sindicais, sociais e estudantis promoveram ontem, em Cuiabá, uma caminhada em favor da reforma agrária e contra a criminalização do Movimento dos Sem-Terra (MST). Eles saíram do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, no CPA, e se dirigiram para a Praça da República, onde aconteceu um ato público. O protesto é contra a ofensiva de forças contrárias ao movimento no Rio Grande do Sul, onde militantes são acusados de crimes contra a segurança nacional. “No Rio Grande do Sul a perseguição às lideranças é constante. Lá não se pode sequer fazer um ato como este aqui”, afirmou um dos membros da coordenação estadual do MST, Gumercindo Sobrinho. Mas, o problema não se restringe ao Rio Grande do Sul. Em Mato Grosso, ele observa que a criminalização é mais forte na região de fronteira. “São despejos violentos, com a polícia armada e destruição de barracos e plantações”, disse. “No fim do ano passado, um trabalhador rural morreu atropelado depois de uma ação de despejo”, acrescentou. No Rio Grande do Sul, o Ministério Público Estadual apresentou à Justiça um pedido de dissolução do MST. Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT), Gilmar Soares Ferreira, que participou da manifestação, a tentativa de dissolução do MST é preocupante. “É um dos únicos movimentos que consegue se impor contra o capitalismo selvagem que visa a produção de grãos e exploração das terras apenas para exportação, sem abastecer a mesa do trabalhador brasileiro”, disse. Neste sentido, os manifestantes distribuíram à população saquinhos de feijão e milho, contendo um panfleto informando que 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro são produzidos nos assentamentos e na agricultura familiar. Enquanto isso, observou Gilmar Soares, neste ano o Governo Federal destinou R$ 75 bilhões para o agronegócio e apenas R$ 13 bilhões para a agricultura familiar. Após o ato público, o objetivo dos manifestantes era colocar uma carta no Correio endereçada à governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, onde argumentam que a criminalização por parte do poder público e do Judiciário é em favor das transnacionais e do capital estrangeiro. Da praça, os membros do MST retornaram para frente da sede do INCRA, onde estão acampados desde o dia 22 de junho. São cerca de 250 famílias que cobram a desapropriação de terras como as fazendas São Paulo, em Mirassol do Oeste, Rancho Verde, em Cáceres, e Sinfa da Amazônia, em União do Sul.

Edição EDIÇÃO 16967




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