CIDADES
Sábado, 05 de Julho de 2008, 15h:02
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PRIMEIRA INFÂNCIA
Atenção necessária às agressões
DANA CAMPOS
Da Reportagem
Um caso recente de violência infantil despertou a atenção de boa parte da população. Não foi uma situação em que o pai, a mãe ou qualquer outro adulto tenha violentado uma criança, mas uma criança contra outra. Em São Paulo, um menino de três anos de idade chegou a morder um colega da mesma creche em que estudava cinqüenta e duas vezes. As marcas dos dentes ficaram espalhadas por todo o corpo, principalmente nas costas e no pescoço. Uma atitude que especialistas em educação infantil questionam e apontam as possíveis causas que levam um ser tão pequenino e angelical cometer tamanho ato de violência. Em Cuiabá, não há dados estatísticos sobre casos de agressão entre crianças de zero a quatro anos. Entretanto, ocorrências como essas, consideradas comuns, requerem cuidados especiais para identificar as causas da alteração de comportamento. Um exemplo foi o do aluno da creche Nasla Joaquim Aschar, localizada no bairro CPA I. Filho da assistente técnica Lucélia Cristina de Lima, o menino viu o avô paterno morrer. O fato ocorreu em março do ano passado. Ele completaria dois meses na creche. Conforme a psicopedagoga Creide Lopes, ainda em fase de adaptação, o menino sentiu a perda de um ente querido. Após esse momento, as queixas de que ele estaria mordendo vários coleguinhas tornaram-se recorrentes. Até que um dia a mãe foi comunicada e convidada a visitar a unidade. De acordo com Lucélia, o filho era tranqüilo e carinhoso, mas tinha mudado depois da perda do avô. A psicóloga da unidade, por meio de uma anaminésia, identificou que a alteração estava relacionada à perda do avô querido. Era ele quem sempre o buscava na creche. Meu filho sentia muita falta e dizia que não ia embora enquanto o avô não o buscasse. Segundo a mãe, depois de quase dois meses de acompanhamento profissional, o menino voltou a ser mais amigável. Na Capital, profissionais que lidam com crianças que com idade entre zero e 4 anos acreditam que atitudes aparentemente agressivas, como mordidas, são comuns e que fatores externos são as causas determinantes para tal ação. Denominada de fase oral, a psicopedagoga explica que é durante esta faixa etária que os pequenos começam a descobrir o mundo, inicialmente pela boca. Segundo ela, o conhecimento pessoal e social da criança se dá por essa parte do corpo humano. De acordo com Creide, quando a criança deseja algo ou apenas quer expressar algum sentimento, seja ele de dor, de angústia, de alegria ou de raiva, ela utiliza a boca para se manifestar. Por isso, é bastante comum a ocorrência de mordidas em crianças na primeira infância, o que geralmente ocorre em fases de adaptação, ou seja, nos primeiros meses de aula. Geralmente quando elas chegam à creche é tudo muito novo. Elas não conhecem ninguém e a mordida representaria um ato de defesa ou apenas uma atitude para chamar a atenção de alguém, explica. Conforme Creide, toda unidade escolar deve ter uma psicóloga que faça um trabalho de orientação às crianças que estão em fase inicial de aprendizado. Conforme ela, a presença dessa profissional no interior da creche tem como objetivo ouvir os pequenos alunos e tentar identificar os motivos que levam às mudanças de comportamento, que transformam uma criança tranqüila em uma mais agressiva ou irritada. Segundo a psicopedagoga, os casos mais freqüentes são quando a criança convive com a gravidez da mãe, ou seja, a criança pode encarar a chegada de um irmão como uma ameaça e mudar de comportamento. As brigas ou a separação dos pais e a perda de uma pessoa querida são fatores que também podem alterar as atitudes das crianças.