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CIDADES
Sábado, 07 de Fevereiro de 2009, 15h:03

Artimanhas se renovam no crime

A arregimentação de trabalhadores para a execução de serviços braçais na fazenda Cinco Estrelas se deu das formas clássicas já conhecidas pela Superintendência Regional do Trabalho. Contudo, novas estratégias para burlar a lei trabalhista e penal são lançadas por proprietários rurais para manter, livremente, a prática de abusos no norte do Estado, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Foi por meio de anúncios na rádio FM Sac, no interior do Maranhão, e da atuação de aliciadores, conhecidos como “gatos” em Mato Grosso, que cerca de 160 trabalhadores foram recrutados para a fazenda Cinco Estrelas, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). Os que vieram em ônibus ficaram hospedados em hotéis “peoneiros” (que abrigam os ‘peões’), que depois foram pagos pelo contratante, o fazendeiro Chapéu Preto, e geraram dívidas impostas aos aliciados. O esquema não é novidade no mundo das irregularidades trabalhistas. O que preocupa ainda mais as autoridades são as novas artimanhas, ainda sob investigação. “Os ônibus cheios de trabalhadores aliciados já não passam mais pelas rodovias. O que os fazendeiros fazem é passar por dentro de propriedades rurais, em estradas vicinais, até chegar ao destino”, aponta a agente da CPT Leonora Bruneto. Esses trabalhadores aliciados, muitas vezes, chegam a ter a carteira assinada, estratégia de alguns fazendeiros diante de uma eventual fiscalização trabalhista. Na realidade cotidiana desses trabalhadores, o documento é uma ficção. Eles não têm acesso ao salário mensal e ficam com dívidas junto ao empregador, por ser obrigados a comprar do contratante a comida e ferramentas. “Hoje nos deixa bem atentos a questão dos catadores de raízes, que limpam o pasto. São contratados geralmente pessoas sem família. Quando entram nas fazendas, trabalham exaustivamente, naquela imensidão do pasto. De lá, muitas vezes não conseguem sequer sair vivos. Aqui, isso não é raro. Quando adoecem, são assassinados por ordem do próprio empregador, que teme processos”, denuncia a irmã Leonora. Leia também #LINK#338924#Caso mais grave de escravidão em Mato Grosso está impune #LINK#338925#Defesa sustenta tese de armação #LINK#338926#Artimanhas se renovam no crime #LINK#338927#Medo impunha vigílias sob lona #LINK#338928#Sociedade precisa denunciar e exercer pressão política #LINK#338929#Corrente servia para evitar fuga #LINK#338930#‘Protetora’ é alvo de atentados

Edição EDIÇÃO 16962




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