CIDADES
Quarta-feira, 05 de Dezembro de 2012, 21h:51
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ARCA DE NOÉ
Arcanjo contrata renomado advogado
Bulhões defende o bicheiro Carlinhos Cachoeira e também atuou, em nome do governo italiano, na extradição do Cesare Battisti
Laura Nabuco
Da Reportagem
Advogado do governo italiano no processo referente à extradição do ex-ativista Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua em seu país sob acusação de quatro assassinatos, Nabor Bulhões é o novo contratado pelo ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro. Especialista em direito internacional, Bulhões atua, a princípio, oferecendo consultoria à defesa do comendador no que diz respeito ao tratado de extradição entre o Uruguai, onde Arcanjo foi preso em abril de 2003, e o Brasil. Ainda estou analisando. Vou projetar os efeitos da extradição dele no processo, mas também posso chegar a atuar em parceria com o colega que já trabalha com ele (Arcanjo), pondera o jurista, em referência ao advogado Zaid Arbid. Em maio deste ano, a defesa de Arcanjo requereu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e à 1ª Vara Criminal de Várzea Grande que os processos por crime contra o sistema financeiro e por um triplo homicídio qualificado sejam anulados. A alegação é que o ex-bicheiro não pode ser julgado por casos não citados no tratado de extradição. À época da sua prisão, Arcanjo era acusado por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e descaminho. A Justiça uruguaia, no entanto, não aceitou a acusação por lavagem de dinheiro, crime não previsto na legislação do país. Sem antecipar detalhes do processo, Bulhões demonstra otimismo quanto ao sucesso da empreitada. Há questões importantes nos autos, mas ainda estou avaliando, desconversa. Além do governo italiano, constam no currículo Bulhões clientes como o também bicheiro Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar uma quadrilha que explorava o jogo ilegal em Goiás. Ele é alvo das investigações de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), instaurada no Congresso Nacional. O jurista atuou ainda como coordenador da defesa de todos os réus envolvidos no esquema de corrupção do governo do ex-presidente da República Fernando Collor de Melo. À época, verbas públicas destinadas a vários setores foram desviadas para contas fantasmas. Arcanjo, por sua vez, foi condenado a 24 anos de reclusão por crimes contra o sistema financeiro - entre eles lavagem de dinheiro -, formação de quadrilha e contrabando. Deste total, ele já cumpriu pouco mais de nove anos, o que lhe permitiria a progressão da pena para um regime menos rigoroso. Ele está detido num presídio de segurança máxima em Mato Grosso do Sul. Ainda pesam contra o comendador, no entanto, acusações de homicídio, incluindo o processo por triplo assassinato que sua defesa tenta anular. Por estes crimes já foram emitidas decisões de pronúncia determinando que ele seja submetido a júri popular. Os julgamentos, contudo, têm sido adiados graças a recursos impetrados em instâncias superiores por seus advogados.