Os advogados do norte-americano Edmund Augustus Zanini, 78 anos, estão em Mato Grosso para tentar viabilizar um acordo com os 275 agricultores de Sorriso (a 420 quilômetros) que vivem na área de 150 mil hectares, avaliada em cerca de R$ 1 bilhão. Há 31 anos o americano reivindica a imensa faixa de terras considerada uma das mais férteis do Estado, mas devido à complexidade do caso, o processo judicial virou sinônimo de morosidade. Em setembro de 2009 uma audiência na Vara Agrária de Cuiabá reuniu defensores das partes, mas não houve conciliação pela falta de consenso entre os valores de indenização que levaria ao fim do litígio. Contudo, agora Zanini estaria disposto a fechar uma negociação que agrade aos dois lados. A defesa aguarda também um parecer judicial sobre o pedido de inspeção na área disputada. Há a disposição dele em negociar o mais rápido possível. Esperamos um acordo para os próximos meses. Nosso cliente receberia dos agricultores valores relativos a indenização da área e encerraríamos o processo judicial que tramita há anos, falou o advogado paulista Rubens Seidl, que hoje estaria em Sorriso. Seidl se reuniu ontem com o juiz da Vara Agrária, Pedro Sakamoto, no Fórum de Cuiabá. Durante a audiência informal, o magistrado conversou com Edmund Zanini por videoconferência. O americano está na Flórida (EUA). Zanini informou ao juiz que entramos na causa agora, relatou um pouco do fato e mostrou sua indignação com a demora no trâmite desse processo, que se arrasta há três décadas. A área reclamada pelo americano hoje abriga grandes fazendeiros do Estado, que adquiriram as terras de uma colonizadora e fizeram fortuna com o plantio de soja. Entre os proprietários figuram os agricultores Joci Piccini, Sadi Beledelle e Nadir Sucoloti. Edmund, autor do processo judicial, alega ter sido vítima de uma falsificação de procuração em 1978, que possibilitou a Lourival Abraão Asse registrar, no 5º Tabelionato de Cuiabá, a venda supostamente forjada da propriedade com transferência para seu nome. Em 1991 a Justiça criminal condenou os responsáveis pela falsificação. Edmundo ingressou com uma ação cível para cancelar centenas de registros imobiliários que resultaram da primeira suposta fraude, e para reaver as terras, com indenização.