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CIDADES
Sábado, 12 de Janeiro de 2013, 13h:59

FORA DE CASA

Alunos devem avaliar os obstáculos

Ficou mais fácil estudar em outras cidades com o Sisu, mas psicóloga lembra que estudante deve estar consciente das dificuldades

Laura Nabuco
Da Reportagem
Desde a criação do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) pelo Ministério da Educação (MEC), em 2010, optar por um curso superior ofertado numa cidade distante ficou bem mais fácil para a maioria dos estudantes brasileiros. As dificuldades de morar longe da casa dos pais, no entanto, continuam as mesmas. Este ano, foram ofertadas quase 130 mil vagas distribuídas em mais de 100 instituições públicas espalhadas pelo país. As inscrições se encerraram à meia noite de ontem. Para participar, bastava ter realizado a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicada em todo o Brasil. Antes de definir a universidade para onde se vai, contudo, é preciso levar uma série de fatores em consideração. Os gastos com aluguel e alimentação e a vida solitária ou em conjunto, nas chamadas repúblicas, são alguns deles. Para a psicóloga Eliane Alves, o primordial é o desejo do jovem. “A família deve respeitar isso. Tanto se for para ele ir, quanto para ficar. O adolescente não pode se sentir exposto ou abandonado à própria sorte, mas a super-proteção também é prejudicial, porque acaba com a autoconfiança”, explica. Camila Almeida, 20 anos, é um exemplo. Com a família morando em Cuiabá, ela ingressou no curso de zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Sinop. A mudança ocorreu quando ela ainda tinha 17 anos. “Eu já queria morar fora. Foi uma experiência de amadurecimento. Eu era muito dependente dos meus pais”, diz a estudante, que reside numa pensão com outras 12 garotas. Ela conta que a maior dificuldade foi a adaptação à cidade nova. “Eu nunca tinha sequer visitado Sinop”, diz. Apesar disso, recomenda a experiência. Em Cuiabá, o aluguel de kit nets no bairro que a abriga o campus da UFMT varia, em média, entre R$ 400 e R$ 500. Os calouros ainda têm a opção de alugar quartos em repúblicas ou de tentar uma vaga na Casa do Estudante Universitário. O alojamento é gratuito e tem processo de seleção duas vezes ao ano. A ESCOLHA DO CURSO - Antes de escolher onde morar, no entanto, o estudante precisa definir em que curso superior ingressar. Tarefa que também pode não ser das mais fáceis. Com o Sisu, o candidato pode escolher até duas opções de faculdade. Alves afirma que maioria dos jovens escolhe cursos que têm algo em comum entre si. Quando as opções são muito divergentes, contudo, ela alerta pela necessidade de uma orientação profissional. “Se isso ocorre é porque a pessoa não sabe o que quer ou está fazendo uma escolha sob pressão”, avalia a psicóloga, que ressalta: a primeira coisa que o estudante precisa ter em mente é aquilo que ele não gostaria de fazer. A renda que a futura profissão vai proporcionar também deve ser considerada, mas não pode ser o principal motivo na hora da escolha. “Em todas as áreas vemos pessoas que se destacam. Se você opta por uma carreira só pelo dinheiro, vai acabar não aguentando pagar o preço que esta profissão exige”, explica.

Edição EDIÇÃO 16967




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