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CIDADES
Segunda-feira, 01 de Março de 2010, 21h:54

PAIAGUÁS III

Água não tem força para chegar às caixas do bairro

ANDRÉIA CRUZ
Especial para o Diário
Os moradores do bairro Paiaguás III, em Cuiabá, não sabem há muito tempo o que é tomar banho de chuveiro, pois a água que chega, dia sim, dia não, é fraca e não sobe para as caixas. Mesmo nas mangueiras improvisadas, a água dura pouco tempo e o jeito é encher diversos vasilhames para guardar o líquido que será usado para beber, fazer comida, lavar roupa e limpar casa, tudo com bastante moderação. Na residência da aposentada Erondina da Silva, de 67 anos, há três caixas no chão, uma delas foi doada, inclusive, pela Sanecap. Com dois netos em casa, ela desse que está sempre atenta para não haver desperdício. “Tenho que controlar a água que usamos, pois, se faltar, não há o que fazer”, comentou a moradora. A presidente do bairro, Marilene Alves da Silva, disse que já protocolou diversos ofícios na Sanecap solicitando a instalação de hidrômetros nas residências e a implantação de encanamentos que permitam maior vazão da água. “Água tem, o problema é que ela se perde no meio do caminho, pois há muitos canos com vazamentos”. De acordo com o diretor técnico da Sanecap, Édio Ferraz, ainda não foi feita a regularização fundiária no Paiaguás III, o que impede o poder público de levar água até as residências. “Não se pode cobrar suficiência hidráulica em bairros que surgiram a partir de ocupações irregulares”, afirmou. Mas os moradores questionam o motivo de a água não chegar com força em alguns locais do bairro. “Os bairros vizinhos não enfrentam problemas com a falta de água. Se resolveram a situação em outros lugares, podem solucionar aqui também”, questionou o morador Cláudio Roberto da Silva. O bairro Paiaguás III, que existe há nove anos, está localizado nos fundos do Residencial Paiaguás. Lá, moram 250 famílias. Desse total, 115 recebe água a cada 48 horas, por meio das “gambiarras”. A outra parte não enfrenta dificuldades no abastecimento. Além da falta d’água, o local não dispõe de outros serviços de infra-estrutura, como saneamento básico. Nas ruas, crianças e adultos andam em meio ao esgoto que corre a céu aberto. A sujeira é também outro grave problema que os moradores enfrentam. Terrenos baldios e entulhos estão por toda parte. “Estamos abandonados. No entanto, aqui vivem pessoas humildes, mas trabalhadoras que precisam do apoio do poder público”, declarou Cláudio Roberto.

Edição EDIÇÃO 16967




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