Advogado orienta moradores a não resistir ao despejo
LAURA NABUCO
Da Reportagem
A 23 dias do prazo para desintrusão da terra indígena Marãiwatsede, em Alto Boa Vista (distante 1.064 quilômetros de Cuiabá), o advogado da Associação de Produtores Rurais da Gleba Suiá-Missú (Aprossum), Luiz Alfredo Feresin, já orienta à população a não resistir à ordem judicial. Feresin afirma que já ingressou com um recurso junto ao STF e que ainda tramita, no Ministério da Justiça, um processo administrativo, que podem resultar numa decisão favorável aos posseiros da área. Mesmo assim, ele acredita que a melhor saída é não confrontar a determinação. É a orientação que tenho dado a todos. Ouvi dizer que algumas pessoas já estão se preparando para sair, outras afirmam que vai haver resistência. Não tem como fazer a cabeça de todo mundo, diz. Esposa de um dos fazendeiros da região, Nailza Rita Bispo afirma que boa parte da população está disposta a lutar para permanecer em suas casas. As esperanças estão depositadas no próximo dia 22, quando uma comitiva com 15 deputados federais deve visitar o local. Os prefeitos já disseram que vão decretar ponto facultativo para que a maior quantidade possível de pessoas acompanhe a visita. Estão organizando um abaixo assinado para entregar à presidente Dilma (Rousseff). Serão cerca de 20 mil assinaturas, adianta. Nesta terça-feira (13), prefeitos, vereadores e lideranças políticas de 10 cidades da região se reuniram em assembleia em Confresa (a 153 quilômetros de Alto Boa Vista). Pelo menos 300 pessoas acompanharam as discussões, que resultaram na elaboração de um documento repudiando a determinação judicial de despejo, conforme Nailza.