CIDADES
Sábado, 28 de Fevereiro de 2009, 12h:29
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DESAPARECIDOS
68 pessoas ainda não voltaram para casa
Sem pistas palpáveis, 10% dos casos registrados em 2008 não foram desvendados; entre motivações, 60% são impelidos por brigas familiares
DANA CAMPOS
Da Reportagem
Dados do setor de Desaparecidos da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá revelam que no ano passado, dos 635 casos de pessoas desaparecidas, 68 pessoas ainda não voltaram para suas famílias, num índice de 10,7% de casos ainda sem solução. Em janeiro deste ano, dos 43 novos casos investigados pelo setor, 36 pessoas voltaram para casa. Para o chefe do setor da DHPP, o investigador Gardel Tadeu Ferreira, esse percentual representa o bom trabalho investigativo desempenhado pelos policiais do setor. Conforme o investigador, muitos casos são denunciados sem muita informação sobre o desaparecido. Nesses casos, temos que levantar todas as relações que a pessoa tinha. Informações, como amigos, trabalho, namorado (a) e até mesmo inimigos são extremamente importantes para dar continuidade às investigações. Entretanto, destaca o investigador, não há pessoa difícil de ser encontrada, o que pode haver é um trabalho de investigação mal feito, rotula. Um dos casos mais recentes que os policiais da DHPP conseguiram desvendar foi o do aposentado Antonio Pereira da Silva, de 45 anos. Ele sofre de transtornos mentais e, de acordo com o cunhado, o motorista Ronaldo Correa da Silva, 52, as fugas são uma constante. Porém, os sumiços não passavam de horas. No episódio mais recente, ocorrido há três semanas, foram seis dias sem receber qualquer notícia de Antonio. A gente era acostumado com o sumiço dele, mas desta vez todo mundo ficou bastante preocupado, conta Ronaldo. De acordo com o motorista, o apoio dos policiais do setor de Desaparecidos da DHPP foi muito importante para a localização do cunhado. Segundo o chefe do setor, casos como o de Antonio representam apenas 10% do total de situações investigadas em Cuiabá. Conforme ele, 60% dos casos atendidos na DHPP são por desavença familiar. A pessoa briga com alguém da família e resolve sumir de casa, afirma Gardel Tadeu Ferreira. Em seguida, com 30%, destaca o investigador, são situações de pessoas que possuem algum envolvimento com entorpecentes. A droga ainda está muito presente na desagregação familiar, frisa.