CIDADES
Sábado, 12 de Janeiro de 2013, 13h:56
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REAJUSTE
42% acima da inflação
Coletivo está mais caro e a qualidade do serviço, que atende 330 mil por dia, continua precária
HELSON FRANÇA
Da Reportagem
Superlotação, calor em excesso, falta de assentos, dificuldades para comprar uma passagem, atrasos, sensação de insegurança e uma das tarifas mais caras do País. São algumas das questões que fazem com que andar de ônibus em Cuiabá seja um exercício de paciência e tolerância para os 330 mil usuários diários do transporte coletivo. Em 10 anos, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços e Mercado (IGPM) foi de 105%. Porém, nesse mesmo período, o preço da tarifa na Capital não acompanhou o ritmo e aumentou 145%, saltando de R$ 1,20 para R$ 2,95. Significa dizer que o aumento da passagem foi 42% acima da inflação. Dentre as capitais brasileiras, o preço da tarifa de Cuiabá é a segunda mais alta do País, ficando atrás apenas de São Paulo. O valor da passagem de ônibus na maior cidade do Brasil é de R$ 3,00. Não dá para entender para onde vai o dinheiro. Com uma tarifa tão cara como essa, os ônibus deveriam ter o mínimo de conforto e pontualidade, coisa que não existe no transporte público daqui de Cuiabá, reclama o publicitário João Figueiredo Neves, 29 anos. Morador do bairro Araés, ele gasta, diariamente, R$ 11,80 com passagens de ônibus para sair de casa para o trabalho e retornar ao lar. Apesar de ser considerada uma das cidades com a temperatura mais alta do País, a maioria dos coletivos na Capital não possui ar-condicionado. O problema é agravado pela superlotação. Nos horários de pico, principalmente entre 06h30 e 08h e 18h e 19h, quando acontece a entrada e saída nas escolas/empregos, a situação se complica ainda mais. O aperto nos coletivos, misturado ao clima abafado e ao mau cheiro, contribuem para a atmosfera pesada que se faz presente durante os trajetos. É difícil encontrar no rosto de cada passageiro uma expressão que não seja fechada e mal humorada. Para os cadeirantes o problema é ainda maior, pois grande parte dos ônibus não tem adequação ou motoristas preparados para atendê-los. Que o diga Robson Mesquita, 34 anos. Na quinta-feira (10), ele tentava pegar um ônibus para ir da avenida Fernando Corrêa da Costa ao bairro Tijucal. Por duas vezes, o cadeirante havia tido o embarque rejeitado, pois nos respectivos ônibus não havia espaço para ele, devido, à superlotação e aos problemas no elevador. Na medida em que Robson tentava embarcar em outros coletivos, os obstáculos se alternavam. Ora era a falta de instrução do motorista em relação ao equipamento, ora era algum defeito do próprio elevador. Enquanto isso, alguns passageiros se irritavam com a demora. Tenho hora para trabalhar!, reclamavam duas mulheres de dentro do ônibus que ficou parado por alguns minutos sem sucesso no embarque do cadeirante. Isso é todo dia. É complicado, resignou-se. Em Cuiabá, a frota de ônibus é de 380 veículos. Conforme a Associação Mato-Grossense dos Transportes Urbanos (MTU), o preço da tarifa é baseado em cálculos de gastos devidamente comprovados junto ao Ministério dos Transportes. A MTU ainda ressalta que o reajuste foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Municipal de Transporte e que, na ocasião, o valor aprovado ficou acima de R$ 3,00 abaixando para R$ 2,95 por determinação do então prefeito, Chico Galindo (PTB).