BRASIL
Quarta-feira, 28 de Junho de 2006, 20h:27
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TRÁFICO HUMANO
Vítimas no país têm entre 18 e 21 anos
As brasileiras estão entre as principais vítimas do tráfico para exploração sexual, mostra OIT
De acordo com o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (Unodc), as mulheres jovens, entre 18 e 21 anos, solteiras e de baixa escolaridade são as principais vítimas das redes internacionais de tráfico de seres humanos que operam no Brasil. As informações fazem parte de um diagnóstico realizado pelo Unodc e pelo Ministério da Justiça nos estados de Goiás, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo. A coleta das informações foi feita de 22 processos judiciais e 14 inquéritos policias relativos ao tráfico internacional de mulheres, instaurados entre janeiro de 2000 e dezembro de 2003. Segundo o Unodc, o baixo nível de escolaridade influi na decisão das vítimas. A principal promessa feita pelos aliciadores é a de emprego e conseqüente melhoria nas condições de vida. Também há mulheres que já são profissionais do sexo e entram em contato com as redes de tráfico internacional. Outra constatação do escritório da ONU é que os responsáveis pela investigação do tráfico internacional de mulheres consideram esse crime menos importante que o tráfico de drogas e o contrabando de armas, quando, na verdade, todos os crimes estão interligados. Os aliciadores são em geral homens entre 31 e 41 anos, com bom grau de escolaridade. Grande parte é de empresários que trabalham em casas de show, comércio, agências de encontro, bares, agências de turismo e até salões de beleza. Os principais destinos das mulheres que servem ao tráfico internacional são Espanha, Itália e Portugal. As vítimas também são enviadas para a Suíça, Israel, França, Japão e Estados Unidos. Pesquisa revela que 76% das brasileiras deportadas da Europa poderiam ser vítimas de tráfico sexual. MULHERES Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que, no ano passado, 2,4 milhões de pessoas no mundo foram vítimas de tráfico para serem submetidas a trabalhos forçados. Desse total, 43% são vítimas de exploração sexual e 32% de exploração econômica. As mulheres brasileiras estão entre as principais vítimas do tráfico de pessoas para exploração sexual, especialmente as procedentes do Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, de acordo com o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (Unodc). Para tentar diminuir a prática do crime de tráfico de pessoas, o governo discutiu ontem as diretrizes da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. De acordo com a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, a discussão da política deve envolver aspectos como as condições sociais que levam muitas pessoas, especialmente mulheres, a uma situação de risco no exterior. "O combate à fome, à miséria, ao abandono de jovens e crianças, ao desemprego", disse. ENFRENTAMENTO A ministra destacou que na política de enfrentamento serão discutidas as formas de punição para os aliciadores. Segundo ela, uma das possibilidades é tornar inafiançável o crime de tráfico de pessoas. "Colocar pessoas em regime de escravidão é um crime, portanto não há que se ter nenhuma condescendência com os criminosos que perpetuam esse crime transnacional extremamente complexo", afirmou. Estimativas da OIT apontam para US$ 31,6 bilhões o lucro anual produzido pelo tráfico de seres humanos. Os países industrializados são responsáveis por metade desse valor (US$ 15,5 bilhões). Segundo a Unodc, o lucro dos criminosos com o trabalho de cada ser humano transportado ilegalmente de um país para outro chega a US$ 13 mil por ano. Essas pessoas partem de diversos lugares Leste Europeu, Sudeste Asiático e África em direção, principalmente, à Europa. Na América Latina, as vítimas são, em sua maioria, do Brasil, Colômbia, Equador e República Dominicana.