BRASIL
Segunda-feira, 11 de Junho de 2007, 19h:57
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XEQUE-MATE
Vazamento teria saído em uma barbearia
Aldo Roberto Brandão, delegado da Polícia Federal, acusado de vazar informação, depõe e confirma encontro antes de prisões
JOÃO NAVES
Da Agência Estado Campo Grande
O delegado da Polícia federal Aldo Roberto Brandão, acusado de vazar informações sobre a Operação Xeque-Mate, afirmou ontem, em depoimento à PF que "tudo aconteceu em um salão de barbeiro". Ele explicou que estava cortando o cabelo em um salão em frente a um escritório de advocacia de onde saiu Elenilton Dutra de Andrade, um dos envolvidos preso na operação. Ao se encontrarem, Elenilton teria dito ao delegado que ouviu notícias no rádio sobre apreensões de dezenas de máquinas caça-níqueis. "Eu respondi, tem que apreender mesmo. A polícia vai dar duro em cima desse povo." Elenilton passou a notícia aos "empresários" dos jogos proibidos em Campo Grande, que estavam com os telefones grampeados. O delegado ressaltou que na ocasião da conversa na barbearia não sabia o dia do desencadeamento da Operação Xeque-Mate. "Soube apenas uma meia hora ou no máximo uma hora antes". Em seu depoimento, Brandão não confirma a acusação de que teria alertado o suposto chefe da máfia dos caça-níqueis, o ex-deputado Nilton Cezar Servo, de que ele estava sendo investigado e seria preso. Alegando "depressão grave", Brandão pediu afastamento por 30 dias no último dia 8, do cargo de titular da Delegacia do Patrimônio. Ele explicou que, mesmo sob cuidados médicos, resolveu prestar o depoimento para colaborar com as investigações. ESCUTA COMPROMETEDORA A conversa mais comprometedora ocorreu em 19 de abril, entre Elenilton Andrade e Alexandre Ribeiro, ambos presos na operação. Elenilton conta a Alexandre que o Aldo delegado avisou, havia 15 dias, para tirar o equipamento da rua e explica que uma operação seria deflagrada. Elenilton dá a entender que o delegado o avisara de que haveria prisões, inclusive a de Servo. Ele disse que (a PF) vai descer um monte de mandado de prisão e que Nilton Servo será um dos primeiros a ser preso, relata Elenilton a Alexandre. A assessoria de imprensa da PF confirmou que, diante das citações, o delegado terá de se explicar, mas, por enquanto, continua no cargo. Caso não seja convincente, será afastado, como ocorreu recentemente na Operação Navalha, em que três delegados da cúpula da corporação foram punidos pela Justiça por suspeita de divulgação de informações sigilosas. Embora negue vazamento político para preservar a figura do presidente Lula, a PF admite a possibilidade de alguém da corporação ter informado membros da quadrilha. Fatos desse tipo, segundo a PF, embora raros, já foram constatados e punidos em operações anteriores. ENTENDA No dia 4 de junho, a Operação Xeque-Mate prendeu 77 pessoas de cinco quadrilhas ligadas a importação e exploração de caça-níqueis. As máquinas eram contrabandeadas do Paraguai e distribuídas em vários Estados. Entre os presos estão empresários, advogados e policiais civis e militares acusados de receber propinas para facilitar as atividades da organização. A operação atingiu também o irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Genival Inácio da Silva, o Vavá. Ele foi indiciado sob a acusação de tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio no Judiciário. Outro investigado pela operação tem relação com o presidente. Lula é padrinho do filho de Dario Morelli Filho, assessor técnico afastado da Companhia de Saneamento de Diadema (Saned), preso na operação. Já o acusado de ser o chefão da chamada máfia dos caças níqueis, o ex-deputado Paraná Nilton Cezar Servo, é amigo de Vavá. Segundo a PF, o esquema rendia R$ 250 mil por dia aos envolvidos nas cinco quadrilhas espalhadas em seis Estados. As propinas pagas a policiais e advogados para garantir o funcionamento das máquinas de caça-níqueis variavam de R$ 2 mil a R$ 10 mil.