Em uma sessão comemorativa ao Dia Internacional da Mulher, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovou anteontem o pagamento de indenizações a sete mulheres perseguidas pelo regime militar, que vigorou entre 1964 e 1985. Entre as beneficiadas estão Clara Charf, viúva do líder guerrilheiro Carlos Marighela, assassinado em 1969, e Nancy Mangabeira Unger, irmã do ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger. Charf, 82, que foi presa pela repressão, exilou-se em Cuba nos anos 70 e depois ajudou na fundação do PT, receberá mensalmente a quantia de R$ 2.520 até o fim da vida. Também será pago o valor mensal retroativo aos últimos cinco anos. Outras cinco mulheres haviam sido declaradas anistiadas: Ana Wilma Oliveira Moraes, ligada à Aliança Libertadora Nacional (ALN), Estrella Dalva Bohadana Bursztyn, do POC (Partido Operário Comunista), Halue Yamaguti de Melo, do PCB (Partido Comunista Brasileiro), Beatriz Arruda, que foi casada com um deputado do antigo MDB e teve de se exilar com ele, e Maria do Socorro de Magalhães, que participava do movimento estudantil em Pernambuco. A sessão da comissão foi aberta ao público.