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BRASIL
Segunda-feira, 08 de Março de 2010, 20h:55

PROJETOS ELEITOREIROS

Temer tentará controlar aprovação

DENISE MADUEÑO
Da Agência Estado – Brasília
A votação da proposta de emenda constitucional do piso salarial para os policiais civis, militares e integrantes do corpo de bombeiro no plenário da Câmara expôs o mal-estar existente na relação do presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), com os líderes partidários e revelou o impulso, cada vez mais incontrolável, de deputados para aprovar projetos populares, de cunho eleitoral, nos meses que antecedem as eleições. "Tiraram a tampa da panela", constatou o deputado José Genoino (PT-SP). "A Câmara virou um dissídio coletivo", completou, resumindo o clima de incômodo na Casa com as pressões de corporações que invadem o Congresso. A proposta de emenda constitucional dos policiais acendeu a luz vermelha na Câmara. Se qualquer pacote de bondade chegar ao plenário, será aprovado para não resultar em desgaste político do parlamentar preocupado em se reeleger. Esse é o entendimento consensual na Casa. Por isso, desde a semana passada, líderes não escondem o estranhamento com Temer, responsável por incluir os projetos na pauta. O presidente, por sua vez, fez chegar aos líderes que não assumirá o desgaste de impedir a votação dos projetos, se os próprios líderes, quando procurados pelos grupos de pressão, assinam requerimentos de urgência para as propostas. "Querem que o presidente segure no peito? Se os líderes não segurarem, ele vai colocar para votar", afirmou o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), na defesa de Temer. Na tentativa de acabar com o mal-estar e definir uma pauta para os próximos dois meses de trabalho, Temer chamou os líderes partidários para uma reunião amanhã, seguida por um almoço. Com isso, espera-se evitar surpresas, como na noite de terça-feira da semana passada, quando o plenário votou a proposta que fixa um piso nacional provisório para os policiais e Corpo de Bombeiro no valor de R$ 3.500 para soldados e de R$ 7 000 para oficiais. O projeto estabelece ainda que uma nova lei federal fixará um piso definitivo e que será criado um fundo a ser bancado pela União para complementar o pagamento dos salários, atualmente de responsabilidade dos Estados. A votação da proposta não foi concluída e, nesta semana, voltou à pauta, contrariando o governo e parte dos partidos políticos.

Edição EDIÇÃO 16967




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