O senador reeleito Eduardo Suplicy (PT-SP) indicou ontem que, por pressão popular, o Congresso pode rever o reajuste salarial de 90,7% (R$ 24.500) acertado anteontem entre as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado. Ontem, os parlamentares recebem R$ 12,847,20. A mudança vale para os salários dos parlamentares que assumirem seus mandatos em fevereiro de 2007. "Os mesmos membros da Mesa Diretora, que anteontem se reuniram, sabem perfeitamente, depois de ouvirem o sentimento da população, que a decisão precisa ser repensada, disse Suplicy. Para o senador, "muitos ali na Mesa pensaram o seguinte: "Vamos tomar uma decisão, vai haver uma grande grita por dois, três dias, e depois vai vir outro assunto. No entanto, segundo Suplicy, não é isso que está acontecendo. Ele afirmou que tem recebido muitas manifestações de eleitores contra o reajuste. O senador sugeriu que as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado se reúnam na próxima semana para rever a decisão. IRONIA O ministro do STF Marco Aurélio de Mello disse ontem que o aumento de 91% no salário de deputados e senadores provocará efeito cascata no serviço público. "A temporada está aberta", disse ele. Mello foi irônico em relação à possibilidade de os congressistas fixarem o próprio salário sem a necessidade de aprovação e sanção de lei. "Felizes são aqueles que podem se autoconceder aumento", brincou. CNBB A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) condenou ontem a decisão dos parlamentares de reajustarem os salários da categoria em 91% a partir de janeiro de 2007. Em nota de "repúdio" ao "elevadíssimo" reajuste, a entidade diz que "não há justificativa" para que os parlamentares recebam por mês R$ 24.500, enquanto "milhares de brasileiros ganham o irrisório salário mínimo de R$ 350".