BRASIL
Quinta-feira, 13 de Março de 2008, 20h:41
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EXTRADIÇÃO DE ABADIA
STF aprova; Lula dará a palavra final
Traficante foi preso do ano passado, em São Paulo. Ele é suspeito de mandar matar 15 pessoas nos Estados Unidos e trezentas na Colômbia
FELIPE RECONDO
Da Agência Estado Brasília
O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou, por unanimidade, pedido de extradição do megatraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía para os Estados Unidos, onde ele responde a processo por lavagem de dinheiro, conspiração para o tráfico internacional de cocaína e homicídio. A decisão do STF não é definitiva, pois caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva dar a palavra final sobre o assunto. O STF, ao conceder a extradição, impôs a condição prevista na Constituição do Brasil de que uma eventual prisão perpétua ou pena de morte contra ele nos EUA seja transformada em prisão por 30 anos, pena máxima prevista na lei brasileira. Abadía foi preso em agosto do ano passado, em São Paulo, pela Polícia Federal. Ele é suspeito de mandar matar 15 pessoas nos Estados Unidos e trezentas na Colômbia. A fortuna do colombiano é estimada em R$ 3,4 bilhões. ACORDO Abadía havia proposto à Justiça brasileira um acordo pelo qual pagaria às autoridades brasileiras de US$ 30 milhões e US$ 40 milhões e seria extraditado para os Estados Unidos. A proposta dele foi rejeitada, mas o STF decidiu ontem extraditá-lo atendendo a um pedido da Justiça dos EUA. A decisão final sobre a extradição caberá ao presidente Lula pelo fato de Abadía estar sendo processo também no Brasil - por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, uso de documentos falsos e corrupção. Até ser extraditado, o traficante pediu para ser transferido para um presídio com menos segurança em Itaí (301 km a oeste de São Paulo). Atualmente, ele está no presídio federal de segurança máxima em Campo Grande (MS). DELAÇÃO O traficante também ofereceu a delação de um brasileiro que trabalharia para ele e outras três pessoas de sua organização criminosa, que estariam fora do Brasil, à Justiça dos EUA. Como último pedido, o colombiano quer a extinção da pena de sua mulher, Yessica Paola Rojas Morales. A Justiça Federal rejeitou a proposta. Análise de arquivos de computadores do megatraficante, apontado como um dos maiores líderes do narcotráfico colombiano, revela que o traficante, um dos homens mais procurados do mundo, não veio ao Brasil apenas para se esconder. Daqui, ele tinha total controle sobre as atividades do cartel de cocaína do Vale do Norte. Durante os três anos de esconderijo no Brasil, ele arrecadou US$ 70 milhões por mês, de acordo com dados registrados nos equipamentos. As investigações mostram que Abadía também comprou muita gente no Brasil para não ser incomodado. O traficante afirmou em depoimento a promotores na Justiça Federal em São Paulo que ele e seus principais colaboradores sofreram cinco extorsões de policiais civis em 2007. Em anotações feitas pelo próprio traficante, estão valores, apelidos e nomes de alguns dos acusados de cobrar propina.