Ontem, pelo segundo dia consecutivo, moradores e a Polícia Militar entraram em confronto durante a reintegração de posse na ocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). A polícia atirou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para conter a multidão que resiste à reintegração, e todos se dispersaram. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos, Aristeu César Pinto Neto, disse ontem que houve mortos na operação de reintegração de posse. De acordo com ele, crianças estão entre as vítimas. O que se viu aqui é a violência do Estado típica do autoritarismo brasileiro, que resolve problemas sociais com a força da polícia. Ou seja, não os resolve. Nós vimos isso o dia inteiro. Há mortes, inclusive de crianças. Nós estamos fazendo um levantamento no Instituto Médico-Legal [IML], e tomando as providências para responsabilizar os governantes que fizeram essa barbárie, disse, em entrevista à TV Brasil. Durante a manhã de ontem, a Polícia estava lacrando os imóveis e colocando etiquetas nos pertences dos moradores, para que um caminhão da prefeitura recolhesse os objetos e os leve para um depósito da empresa Selecta, do investidor libanês naturalizado brasileiro Naji Nahas, proprietário da área. Na área ocupada há sete anos e 11 meses viviam cerca de 6 mil pessoas, das quais apenas 600 procuraram centros de triagem da prefeitura alegando não ter para onde ir. O restante está pelas ruas do bairro Campo dos Alemães, próximo ao Pinheirinho. Pelo menos 32 pessoas já foram detidas. A ação de reintegração de posse começou na manhã de anteontem e cumpre determinação da Justiça estadual de São Paulo em benefício da massa falida da empresa Selecta. Segundo os ocupantes, desde sexta-feira (20) à noite, há uma decisão do Tribunal Regional Federal contra a reintegração.