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BRASIL
Sexta-feira, 14 de Maio de 2010, 20h:17

ORÇAMENTO

Serra se diz desconfiado de corte

LUCIANA NUNES LEAL
Da Agência Estado – Rio
O pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, mostrou desconfiança ao comentar a medida do governo de corte de mais de R$ 10 bilhões no Orçamento da União para conter o aquecimento da demanda na economia. "Precisa ver se é corte de verdade ou se é espuma", afirmou Serra, revelando que até agora só tem "a notícia" do corte. "Se tiver desperdício para cortar, tudo bem. Mas se não tiver, aí não", disse. Serra deu uma entrevista de pouco menos de uma hora no Programa Francisco Barbosa, da Rádio TV, no Rio de Janeiro. Anteontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o corte de R$ 10 bilhões é uma medida anticíclica para que o crescimento da economia seja sustentável e equilibrado. O ex-governador de São Paulo disse que, se eleito, fará uma reforma administrativa "logo de cara" e criticou mais uma vez o "loteamento" de cargos federais no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Serra insistiu que o presidente Lula não é candidato e, por isso, não é com ele que pretende debater. Questionado sobre o acirramento da campanha eleitoral, o pré-candidato foi bem humorado: "Você já ouviu Lupicínio Rodrigues? Eu tenho nervos de aço." Serra afirmou ainda que está elaborando uma proposta para a criação de uma Polícia Federal (PF) fardada para atuar principalmente nas fronteiras e combater o tráfico de drogas e de armas. Como contraponto ao discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da pré-candidata petista Dilma Rousseff sobre as parceiras do governo federal com o governo do Rio de Janeiro e a prefeitura da capital fluminense, Serra disse que se for presidente terá a melhor relação possível com os governantes do Rio. Ele chegou a lançar a promessa de se dedicar à construção de uma linha de metrô até os municípios de São Gonçalo e Itaboraí. RESPOSTA IRÔNICA O ministro da Fazenda, Guido Mantega, respondeu ontem com ironia e provocação ao questionamento do candidato à Presidência da República, José Serra, sobre se o corte de R$ 10 bilhões "é para valer ou se "é só espuma". Mantega disse que Serra poderia ficar tranquilo porque o governo não tem por hábito "cortar espuma, nem fazer onda" e aproveitou para lembrar que o ex-governador de São Paulo, no cargo de ministro do Planejamento do governo passado, não fez nenhum superávit primário. De fato, o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso se caracterizou por uma brutal queda do superávit primário em relação aos 5,21% alcançados no último ano de governo de Itamar Franco. Os quatro primeiros anos de Fernando Henrique foram de déficit nas contas. Somente a partir de 1999, quando o país enfrentou uma crise cambial e se socorreu no Fundo Monetário Internacional (FMI), os superávits foram crescentes e, em 2002, alcançou 3,5% do PIB, já com a exclusão dos gastos da Petrobrás do cálculo das contas públicas. O pré-candidato do PSDB foi ministro do Planejamento e da Saúde, cargo que assumiu em janeiro de 1998.

Edição EDIÇÃO 16967




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