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BRASIL
Quarta-feira, 15 de Julho de 2009, 20h:51

CONSELHO DE ÉTICA

Senadores elegem aliado de Renan para presidente

Governo deixou claro que barrará qualquer investigação sobre Sayney

EUGÊNIA LOPES
Da Agência Estado – Brasília
Um dia depois de mostrar ter o controle total sobre a CPI da Petrobras, o governo deixou claro ontem que vai tentar barrar qualquer investigação sobre o aliado e presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Com dez votos a favor, quatro em branco e uma abstenção, o governo elegeu para a presidência do Conselho de Ética o senador Paulo Duque (PMDB-RJ), aliado do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), que deverá mandar arquivar as denúncias do líder do PSDB, Arthur Virgílio, e a representação do PSOL contra o presidente Sarney. A primeira reunião do conselho está marcada para o dia 5 de agosto. Se o conselho concordar com a abertura de processo contra Sarney, ele poderá ser obrigado a se afastar da presidência da Casa. Esse afastamento não é, no entanto, automático: precisa ser aprovado pelo Conselho de Ética, onde Sarney tem ampla maioria de votos a seu favor. Em protesto à escolha de Duque, PSDB e DEM decidiram votar em branco. O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) havia sido indicado pelo líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), para presidir o conselho. O nome de Valadares foi, no entanto, vetado por Renan. O principal argumento para vetar Valadares é o fato de ele ser candidato à reeleição em 2010. O temor da cúpula peemedebista era que Valadares acabasse cedendo à pressão da opinião pública, impedindo a blindagem de Sarney no Conselho de Ética. Segundo suplente do governador do Rio, Sérgio Cabral, Duque não disputará as eleições no ano que vem. "O Paulo Duque foi uma escolha pragmática, tendo em vista que muitos senadores vão se candidatar nas eleições do ano que vem", observou o senador Delcídio Amaral (PT-MS), que é suplente no Conselho de Ética. Pelo artigo 14 do regulamento do conselho, o presidente Paulo Duque tem poderes para mandar arquivar a representação e as três denúncias contra Sarney, se considerar que os fatos referem-se a período anterior ao mandato ou são improcedentes. A oposição aposta que Paulo Duque fará isso. Por isso, antes mesmo de sua eleição, os oposicionistas avisaram que, caso isso aconteça, vão recorrer ao plenário do conselho e do Senado. "Estamos preparados burocraticamente e politicamente e vamos recorrer ao plenário do conselho e, em seguida, ao plenário da Casa, quantas vezes for necessário", afirmou o líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto (AM). O senador Valadares desistiu oficialmente de concorrer à presidência do Conselho de Ética ontem pela manhã, quando leu uma carta no plenário do Senado justificando sua renúncia. Mas na véspera, ele já havia conversado com Renan Calheiros, que o avisou da falta de apoio à sua candidatura. "O PMDB retirou o apoio do Valadares", lamentou Mercadante, que divulgou carta dizendo-se "surpreso" com o comportamento da bancada peemedebista. Além de Valadares, o conselho também sofreu outra baixa: o líder do PR, senador João Ribeiro (TO), alegou motivos pessoais e pediu seu desligamento. EMOÇÃO Paulo Duque ficou emocionado ao ser eleito para a presidência do conselho. Com a voz embargada e os olhos marejados de lágrimas, assumiu o cargo com um discurso de defesa do papel dos suplentes de senadores. Procurou evitar a todo custo a vinculação de seu nome com o de Sarney - que garantiu ter conhecido apenas agora no Senado, apesar de ter o visto na década de 60 no Palácio Tiradentes, no Rio, quando Sarney era deputado federal. "Não sei do que tratam as denúncias. Juro que não sei. Vou viajar para o Rio e levar essas denúncias debaixo do braço para analisá-las", afirmou Duque. Ele negou que faça parte da chamada "tropa de choque" do governo e do PMDB para blindar Sarney, mas admitiu sua parcialidade: "Não existe independência total em política". O presidente do Senado foi denunciado por quebra de decoro parlamentar pela edição de atos secretos e sob a alegação de ter mentido ao afirmar que não integra a administração da Fundação José Sarney. A Fundação recebeu patrocínio da Petrobras e teria desviado R$ 500 mil.

Edição EDIÇÃO 16962




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