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BRASIL
Segunda-feira, 03 de Agosto de 2009, 20h:54

CRISE

Senadores batem boca em plenário

Senador Pedro Simon pediu a renúncia do presidente do Senado, fez críticas ao PMDB e foi repreendido por Renan Calheiros e Fernando Collor

Acabou em bate-boca o discurso feito ontem pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS). Mais uma vez, o parlamentar peemedebista defendeu a saída de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. Durante o pronunciamento do senador gaúcho, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), e o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), aliados de Sarney, fizeram duras críticas a Simon. Em um aparte, Calheiros disse que o esporte preferido de Simon é falar mal de Sarney. “As pessoas intrigam, mas eu gosto de Vossa Excelência. Só lamento que o esporte preferido do senhor nos últimos 35 anos tenha sido falar mal do Sarney. Quando o PMDB indicou o presidente Sarney para ser vice-presidente do Tancredo Neves, desde aquele momento que o senhor fala mal do Sarney, porque queria ser o candidato a vice-presidente do PMDB e não conseguiu”, disse Renan. “Isso é mentira, o senhor está inventando”, rebateu Simon. Calheiros ainda afirmou que Simon teria, em reuniões fechadas, apoiado a candidatura de Sarney à presidência do Senado. “Sou testemunha das reuniões da bancada em que Vossa Excelência pedia que o Sarney saísse presidente do Senado. Não entendo como Vossa Excelência fala mal de algumas pessoas, pede para as pessoas saírem e, em circunstâncias iguais, Vossa Excelência cala, silencia. Isso é o que lastimo em Vossa Excelência”, argumentou Renan. “Recebo as afirmações de Vossa Excelência com muita tranquilidade. Acho que Vossa Excelência, como líder e como presidente [ex-presidente do Senado], é uma figura controvertida”, rebateu Simon, dizendo que Calheiros muda de posição conforme seus interesses políticos. “O senhor fez um acordo na China com o Collor e, na véspera dele ser cassado, o largou”. Visivelmente nervoso, com respiração afegante, Collor disse que Simon deveria “engolir” e “digerir” suas palavras “como julgar conveniente”. “As minhas relações com o senador Renan Calheiros são conhecidas e das quais não me arrependi”, disse Collor, negando a existência da reunião com Renan na China. “O senhor fala sem saber o que aconteceu, não é testemunha. Tudo aquilo é pura invensionisse”, afirmou Collor. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que continuará pedindo a renúncia de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. Simon afirmou que não será intimidado pelo PMDB, que divulgou nota este fim de semana pedindo para que os dissidentes deixem o partido "o quanto antes", com a garantia de que não perderão os mandatos. "Esse é o estilo deles, é o estilo do vale tudo. Mas não me importo. Continuarei no partido, eles que me expulsem se quiserem. Se eles querem que eu saia, que me expulsem". ÚLTIMA CHANCE - Para ele, a última chance de Sarney deixar a presidência do Senado "com dignidade" é até antes da reunião do Conselho de Ética, marcada para quarta-feira. "Se o presidente Sarney achar por bem renunciar à presidência, tendo a vista a situação que se encontra o Senado Federal, será um grande gesto dele, será um gesto que se somará a sua biografia. Se Vossa Excelência José Sarney não fizer isto, será o que Deus quiser", disse o senador gaúcho, que discursa neste momento da tribuna do plenário do Senado. "Apelo ao senador José Sarney que saia da presidência".

Edição EDIÇÃO 16967




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