BRASIL
Terça-feira, 22 de Dezembro de 2015, 20h:12
A
A
IMPEACHMENT
Sem fundamento legal é golpe, diz Dilma
A presidente Dilma Rousseff disse que tem "coragem" para "enfrentar" todos aqueles que querem "atropelar" a democracia para chegar ao poder
A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que o impeachment é um instrumento previsto na Constituição, mas se torna golpe quando ocorre sem fundamento legal. Ela discursou na cerimônia de inauguração da Estação Pirajá e do trecho Bom Juá-Pirajá, do Sistema Metroviário de Salvador. O Impeachment em si não é golpe, está previsto na nossa Constituição. Vira golpe quando não há nenhum fundamento legal para qualquer projeto de impeachment. Não há fundamento legal, porque no meu passado e presente não há acusação fundada contra mim, disse a petista. A presidente também afirmou que não cometeu crime de responsabilidade e voltou a acusar os defensores do impeachment de apostarem no "quanto pior, melhor". "A Constituição é clara: se faz impeachment quando há crime de responsabilidade. Não há contra mim crime de responsabilidade. Eu sequer fui julgada." Dilma fez ainda um apelo para que os políticos coloquem os "interesses do Brasil" acima de "interesses partidários". "Não gostar do presidente, querer encurtar o tempo para ser presidente, não são alegações previstas na constituição. O nosso país precisa de tranquilidade. Olhemos acima dos interesses partidários, eleitorais e coloquemos os interesses do Brasil acima dos interesses pessoais e políticos." "Isso significa que temos que fazer grande esforço para que o que queremos individualmente não atrapalhe o que quer o país", completou. Durante o discurso, houve manifestações de apoio e de críticas à presidente. Dilma pediu que ambos os grupos tivessem o direito de expressão garantidos, em respeito à "democracia". "Nós somos democratas, nós convivemos com a diferença. Deixe as manifestações continuarem porque isso é intrínseco à democracia. Nós lutamos muito para que tivéssemos o direito de manifestar quando quiséssemos", declarou. PROJETOS No discurso, a presidente também procurou apresentar obras e projetos de desenvolvimento, para reforçar que, apesar da crise econômica e política, o governo tenta reconstruir as condições de crescimento do país. Ela citou a obra do metrô de Salvador, a entrega de casas populares no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida e obras de recuperação do Rio São Francisco. Mesmo num momento de dificuldades imediatas, nós não vamos parar. Vamos continuar investindo naquilo que faz diferença na vida das pessoas. E se tem uma coisa que faz diferença é o transporte urbano. O metrô e a integração com todo o sistema de transporte urbano. Porque isso significa ganhar tempo, afirmou. Eu acredito que é muito importante que a gente tenha consciência que num momento difícil, apesar dele, vamos fazer as mudanças necessárias para o país voltar a crescer, completou Dilma. CORAGEM A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem, em Camaçari (BA), que tem "coragem" para "enfrentar" todos aqueles que querem "atropelar" a democracia para chegar ao poder. Mais cedo, durante evento em Salvador, Dilma já havia dito que impeachment sem fundamentação jurídica é "golpe". "O Brasil é uma democracia forte, com instituições fortes que nós construímos, todos nós. Eu tive 54 milhões de votos [em 2014] e devo milhões desses votos ao povo baiano. Agradeço esses votos. Primeiro, a melhor forma de agradecer é honrá-los com programas como esse, o Minha Casa Vida", disse a presidente. "Segundo, a melhor forma de honrá-los é tendo coragem de enfrentar as dificuldades deste momento de crise, jamais deixando de enfrentar todos aqueles que acham que o melhor jeito para chegar à Presidência da República é atropelar a democracia. Atropelar? Não vão!", acrescentou. No discurso de ontem em Camaçari, Dilma disse que, assim como a população conquistou a casa própria por meio do Minha Casa, Minha Vida, "vamos construir e conquistar dias melhores para o nosso país." Ela reconheceu que o Brasil passa por momentos de "dificuldades", em razão das crises política e econômica, mas "é verdade também que, mesmo assim, não paramos." "Então, eu posso garantir a vocês: o país não vai parar. Nós vamos continuar criando emprego, assegurando renda e vamos lutar todos os dias para vencer esta crise. Eu conto com vocês. O destemor de vocês diante da luta diária é o destemor que nós unidos, juntos, iremos superar e vencer a crise", completou.