A operação de retirada dos fazendeiros que resistem na terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, está deixando exposto o mal-estar entre as Forças Armadas e o governo federal em torno da questão. O sinal mais evidente é a ausência do Exército na operação. FEDERAL Até agora a Polícia Federal enfrentou sozinha os fazendeiros, que deixaram clara sua intenção de resistir com o emprego de táticas de guerrilha. Na primeira semana da operação eles se empenharam em impedir o avanço da PF no território que reivindicam: queimaram e bloquearam pontes e tentaram impedir o tráfego na principal rodovia da região. A participação do Exército - com seus pelotões de fronteira espalhados pela região - poderia facilitar e encurtar a chamada Operação Upatakon 3. Além da vantagem numérica e do conhecimento da região, o Exército conta com homens treinados no combate a guerrilhas. Os agentes da PF não contam com essa disciplina na academia e também não conhecem a área do conflito: foram arregimentados em outros Estados. JUSTIÇA Indagada sobre a ausência do Exército na operação, a assessoria do Ministério da Justiça - ao qual se subordinam a PF e a Fundação Nacional do Índio (Funai) - respondeu que seria mais adequado perguntar ao Exército. Por sua vez, a assessoria do Exército respondeu que a "a operação está na esfera do Ministério da Justiça". Por questões disciplinares, os militares da ativa não comentam o caso. Mas em clubes e associações de oficiais da reserva, assim como em seus blogs na internet, o assunto ferve.