BRASIL
Sábado, 05 de Julho de 2008, 15h:15
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BELÉM
Santa Casa está infestada de roedores e baratas
EMILIO SANT'ANNA
Da Agência Estado Belém
Salas alagadas, além de infestação de roedores, baratas e até do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Esse é o cenário descrito pelo Ministério Público (MP) após sucessivas visitas à Santa Casa de Misericórdia de Belém. A denúncia faz parte de uma ação civil pública do MP contra o governo do Estado do Pará, a Secretaria de Estado da Saúde, o município de Belém e a Secretaria Municipal da Saúde. De acordo com o Ministério Público, para evitar o caos nos atendimentos, a Santa Casa precisaria, por exemplo, de pelo menos mais 14 médicos na sala de parto, 21 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além de outros 14 no berçário. A construção de uma nova enfermaria pediátrica também é aconselhada pela Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude da Capital. "Estamos estudando a possibilidade de levar essas denúncias e outras questões relativas ao sistema de saúde do Pará ao Conselho Nacional de Direitos Humanos e organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS)", afirma a presidente da Comissão de Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) paraense, Cristina Carvalho. "Não existe diálogo com as secretarias municipal e estadual da Saúde." Segundo a representante da OAB, o problema na Santa Casa e no Estado não é falta de verba para a área. "O principal problema é mesmo a gestão desses recursos", diz. "A verba para a saúde, em qualquer lugar, nunca vai ser o suficiente, mas é possível administrar os recursos e utilizá-los melhor." Outro ponto apontado por ela é a falta de apoio da secretaria estadual para a municipalização da gestão da saúde nos municípios do interior. "Em Belém, a situação se torna pior, pois recebe pacientes de todas as cidades do Estado", afirma.