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BRASIL
Quinta-feira, 02 de Setembro de 2010, 19h:35

CLIMA

Quebra de sigilo na Receita eleva a tensão no governo

RUI NOGUEIRA e LEANDRO COLON
Da Agência Estado – Brasília
Causou profundo mal-estar no Planalto a informação de que o comando da Receita Federal teria montado uma operação para abafar o escândalo da quebra de sigilo de tucanos e de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra. A operação, noticiada na edição de ontem do jornal "O Estado de S. Paulo", teria o objetivo de evitar impacto político na campanha da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Anteontem à noite, integrantes do governo discutiram o descompasso entre a posição técnica, que apontou a irregularidade do documento apresentado para ter acesso às declarações de Verônica, e a postura política adotada pelo comando da Receita. O desfecho da situação pode custar o cargo do secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, dizem fontes. No governo, algumas delas questionam o silêncio do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e defendem a demissão imediata de Cartaxo. Em sua defesa, Cartaxo afirmou ontem à reportagem que a sua demissão depende de uma decisão do ministro da Fazenda. "O cargo pertence ao ministro Mantega, essa pergunta deve ser feita a ele", afirmou. "Nós estamos navegando na crise. Não é uma crise administrativa, é política", disse. Quando a reportagem perguntou se ele tomaria a iniciativa de entregar o cargo, Cartaxo pediu para desligar o telefone. Causou profundo mal estar no Planalto a informação de que o comando da Receita Federal montou uma operação para abafar o escândalo da quebra de sigilo de tucanos e de Verônica Serra Reportagem publicada hoje no jornal "O Estado de S.Paulo" mostrou que a Receita suspeitou de fraude na violação do sigilo fiscal da filha de Serra, mas mesmo assim montou uma operação para abafar o escândalo e evitar impacto político na campanha de Dilma. Em meio ao discurso oficial, iniciado na noite de terça-feira, de que não havia irregularidade, o governo já sabia que a procuração usada para violar os dados de Verônica Serra poderia ser falsa. Os novos documentos da investigação, a que a reportagem teve acesso ontem, também provam que a Receita sabia desde o dia 20 de agosto que o sigilo fiscal de Verônica havia sido violado em setembro do ano passado. Cartaxo negou que na terça-feira já soubesse dos indícios de fraude. "Isso é uma inverdade. Eu só soube que a procuração tinha indícios de fraude ontem à tarde", afirmou. "A comissão que investiga o caso é independente. A comissão só comunica o que acha relevante", disse. "A comissão não é subordinada", ressaltou. As palavras de Cartaxo, no entanto, se contradizem novamente. Na terça-feira à noite, quando o portal estadão.com.br revelou a violação do sigilo fiscal de Verônica, o Ministério da Fazenda e a Receita procuraram a imprensa, para informar que não havia irregularidade e os dados de Verônica foram consultados mediante requisição autorizada e assinada por ela. Ou seja, a direção da Receita já tinha sido informada pela comissão da existência da procuração.

Edição EDIÇÃO 16962




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