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BRASIL
Quarta-feira, 30 de Junho de 2010, 19h:52

PRESIDÊNCIA

PSDB se entrega e DEM indica o vice de Serra

Tucano justificou escolha classificando Indio como um "político da nova geração"

CHRISTIANE SAMARCO, EUGÊNIA LOPES e MARCELO DE MORAES
Da Agência Estado – Brasília
Sob pressão do DEM e diante do risco de desmonte da própria candidatura presidencial, o PSDB entregou ontem, ao partido aliado, o posto de vice-presidente na chapa encabeçada pelo tucano José Serra. O nome que valerá 3 minutos a mais no programa eleitoral do candidato no rádio e na televisão é o do deputado federal Antonio Indio da Costa (RJ), ligado ao grupo político do ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia. O acordo foi fechado no prazo limite permitido pela Lei Eleitoral. Se não houvesse entendimento previsto até a meia noite de hoje, Serra teria que disputar a eleição contra a petista Dilma Rousseff apoiado apenas por PPS e PTB, além de seu próprio partido. Houve o consenso de que isso seria praticamente uma sentença de morte para a candidatura, já que as alianças regionais se desmantelariam e o tempo de propaganda na televisão ficaria reduzido à metade dos minutos que Dilma terá à disposição. Foi a consciência desse quadro político que fez Serra, pessoalmente, reabrir a conversa com o DEM e rever a indicação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para a vaga de vice-presidente. Em uma demonstração de que a aliança estava pacificada, Serra desembarcou ontem, no início da noite, na convenção do DEM, em Brasília, para abençoar o vice. O presidenciável anunciou Indio da Costa como um "político da nova geração" e "peça fundamental na aprovação do projeto Ficha Limpa". "Apresentamos aqui uma novidade que é um sinal de renovação e esperança para o nosso Brasil", disse Serra. Com a chapa montada, a ideia da coordenação de campanha de Serra é a de mudar imediatamente de agenda. Esquecer o conflito entre os dois partidos e trabalhar para somar ao tucano características positivas trazidas por Índio para a campanha, como o fato de ele ter sido o relator do projeto da Ficha Limpa. Assim, facilitará o discurso que pretende usar de contrapor sua campanha de "fichas limpas" contra um governo que supostamente tolera desvios éticos de aliados. "O Serra estava entusiasmadíssimo com o Indio, com o perfil dele associado ao Ficha Limpa", contou o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que passou a madrugada em São Paulo, reunido com Serra. Já fez parte dessa estratégia o tom do discurso de estreia de Índio durante a convenção do DEM. Deixar de lado as brigas entre os aliados e mirar as baterias para o governo federal e para Dilma Rousseff. Sob aplausos dos convencionais do partido, criticou o inchaço da máquina pública e acusou Lula de "tratar mal os servidores públicos", afirmou. Pouco conhecido do cenário político, o deputado do Rio atendeu a um dos critérios que Serra considerava interessante. Ter um companheiro de chapa que representasse algo novo e jovem dentro da política. Além disso, Serra também reconhecia que a escolha poderia ajudá-lo a colher votos no Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do País e onde sua candidatura vinha perdendo apoio. A escolha de Indio também serviu de estímulo para que o DEM recuperasse a vontade de fazer campanha a favor de Serra. Depois que o candidato tucano sinalizou com o veto a presença de um integrante do DEM na sua chapa, o partido se preparou para o desembarque da candidatura presidencial. Considerou que tinha sido humilhado pelos antigos parceiros do governo Fernando Henrique Cardoso e de oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, Indio é um político com trânsito nas principais alas do Democratas. Mesmo tendo sua origem política ligada ao ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, Indio da Costa é um dos parlamentares mais próximos do líder do DEM, Paulo Bornhausen (SC). Seu perfil foi interpretado como ideal para unir o antigo PFL ao novo comando do DEM e com isso agregar as jovens e antigas lideranças da legenda. Aliança sem entusiasmo não adianta nada. Este é o fato novo que vai mudar o rumo da campanha", aposta o ex-ministro da Coordenação Política do governo Fernando Henrique, Luiz Carlos Santos (DEM-SP), autor da fórmula de acordo que selou a paz na aliança da oposição.

Edição EDIÇÃO 16967




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