BRASIL
Quinta-feira, 13 de Maio de 2010, 21h:38
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ESPANCAMENTO
Procuradora se entrega à polícia
GABRIELA MOREIRA
Da Agência Estado - Rio
Depois de 7 dias foragida, a procuradora aposentada Vera Lúcia Sant' Anna Gomes se entregou à Justiça, ontem, no Fórum do Rio. Acusada de torturar a filha adotiva de 2 anos, ela se emocionou ao ouvir o despacho do juiz com a decretação de sua prisão. Após passar por exame de corpo de delito, ela foi levada para o presídio Nelson Hungria, no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste. Segundo seu advogado, Jair Leite Pereira, ela ficará numa cela individual, numa ala destinada a presos com direito à prisão especial. De acordo com ele, durante o tempo em que esteve foragida, Vera Lúcia se hospedou na casa de amigos, no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste. "Ela ainda tinha esperança de ter a prisão revogada", disse Jair Leite, que, hoje, teve mais um pedido de habeas-corpus negado. Na última sexta-feira, a liminar de outro pedido de revogação de prisão já havia sido indeferido. O advogado afirmou que vai recorrer da decisão e caso a liberdade seja negada, ele vai ingressar com pedido de prisão domiciliar. Vera Lúcia mora num amplo apartamento, na quadra da praia, em Ipanema, zona sul. "Ela tem 66 anos e só poderia gozar deste benefício aos 70, mas as circunstâncias da prisão e toda a comoção gerada me faz pedir a prisão domiciliar, mesmo assim", explicou Jair Leite. Para o juiz titular da 32ª Vara Criminal Guilherme Schilling Pollo Duarte, o contexto que motivou a decretação da preventiva da procuradora permanece. No despacho que negou o habeas-corpus, o magistrado afirmou que a prisão é necessária para que seja garantida uma "isenta colheita de provas". Vestida com calça de moleton cor de rosa, um turbante da mesma cor escondendo os cabelos e usando óculos escuros, a procuradora se assustou com repórteres e curiosos que a acompanharam pelos corredores do Fórum. "Não precisa atropelar", disse aos jornalistas, por volta das 12h15, quando se apresentou Antes de ser levada para o presídio, que tem capacidade para 432 presas, Vera Lúcia pediu ao seu advogado para comprar roupa de cama e banho e acessórios de higiene. "Cadê as minhas sacolas, por favor, peguem as minhas sacolas com as minhas coisas", pediu a procuradora, dentro do camburão.