BRASIL
Segunda-feira, 23 de Setembro de 2013, 19h:11
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ONU
Presidente usará discurso para criticar espionagem
Segundo o Planalto, não estão confirmados encontros com líderes de outros países
A presidente Dilma Rousseff, que chegou ontem a Nova York para abrir a 68ª Assembleia Geral da ONU, hoje. A presidente deverá usará o palanque privilegiado para criticar as ações de espionagem americana reveladas pelo ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança (NSA) Edward Snowden. Ontem, após sua chegada, Dilma teve reuniões com Bill Clinton e Cristina Kirchner. Não estão confirmados encontros com líderes de outros países, segundo o Planalto. O grosso dos contatos bilaterais será feito pelo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, que, de acordo com o Itamaraty, ficará até o fim da semana em Nova York participando de pelo menos dez reuniões bilaterais. Segundo o ministério, é possível um encontro entre Figueiredo e o secretário de Estado americano, John Kerry. Seria o primeiro desde que Dilma e o presidente Barack Obama anunciaram o adiamento da visita de Estado da presidente a Washington, por causa das acusações de espionagem. Figueiredo também participará de reuniões ministeriais do G4 (Alemanha, Brasil, Índia e Japão, que discutem a reforma do Conselho de Segurança da ONU), dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do Ibas (Brasil, Índia e África do Sul). Além da participação na ONU, Dilma tem previsão de fazer dois outros discursos aqui em Nova York. Na terça-feira, em uma sessão de alto nível sobre desenvolvimento sustentável na ONU, um fórum que entre outras coisas acompanha os resultados da Rio+20. A assembleia geral deste ano é dedicada a uma "agenda de desenvolvimento pós-2015". Amanhã, a presidente falará em um evento sobre oportunidades no setor brasileiro de infraestrutura promovido pelo banco Goldman Sachs, o jornal Metro e a rede Bandeirantes de TV. Também participam do evento ministros da área econômica do governo - Guido Mantega (Fazenda) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento) - e os presidentes do Banco Central, Alexandre Tombini, e do BNDES, Luciano Coutinho. A partida da presidente para o Brasil está prevista para amanhã à tarde. A expectativa é que Dilma critique a espionagem americana e expresse algum tipo de apoio a medidas voltadas para incrementar a segurança dos dados nas comunicações globais. Esse tema tem sido alvo de discussões em várias instâncias da ONU. No Conselho dos Direitos Humanos, em Genebra, por exemplo, entidades da sociedade civil e alguns países já defenderam que o debate seja enfocado sob o prisma de direitos e liberdades fundamentais. INTERNET Também existem na ONU discussões sobre a governança da internet - ou a falta dela - em instâncias como a Unesco e a União Internacional das Telecomunicações. Documentos vazados por Edward Snowden mostraram que o trabalho da NSA foi facilitado pelo fato de grande parte dos dados das comunicações globais - e quase todo o tráfego de dados das comunicações brasileiras - passarem pela infraestrutura americana. As revelações também mostraram que a NSA utilizou infraestrutura de serviços americana - empresas, provedores, etc - como meio de coletar dados, com ou sem a concordância delas.