BRASIL
Sábado, 16 de Abril de 2016, 14h:14
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BRASIL EM CRISE
Plenário da Câmara vota o impeachment
Placar pró-impeachmnet esta apertado; Para garantir votos na reta final, Dilma e Temer cancelam agenda
Hoje, pela segunda vez na história republicana do país a Câmara Federal vai decidir se aceita ou não o processo de impeachment do presidente da República. A partir das 14h, horário de Brasília, ocorrerá a sessão de votação do parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO), favorável ao impedimento da presidente Dilma Rousseff (PT). O início da votação está previsto para as 15h. Cada um dos deputados terá 10 segundos para manifestar o seu voto no microfone. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse esperar que a votação esteja concluída por volta das 21h. Votam os 513 deputados. O presidente não costuma votar, porém Cunha pretende se manifestar. São necessários 342 votos para abrir o processo. A ordem alternará deputados da região norte e da região sul, começando pelo norte, com os votos do estado de Roraima. Dentro de cada estado, a chamada terá ordem alfabética. O voto será feito em chamada nominal, deputado por deputado. Os parlamentares terão os nomes anunciados em voz alta e pronunciarão o voto no microfone. Quem faltar à sessão terá o nome chamado e a ausência anunciada. Se aceito pela Câmara, o processo segue para avaliação do Senado, que deve instalar comissão especial para analisar o impeachment. A expectativa é que os senadores votem a abertura do processo no início de maio. Se a denúncia for aceita no Senado, Dilma Rousseff será afastada por 180 dias. O vice Michel temer (PMDB) assumirá a presidência no período. PLACAR Levantamento feito pelos principais jornais do país mostra uma disputa apertada neste domingo. No início da tarde de ontem, levantamento dos jornais O Globo e da Folha de S. Paulo apontava que 345 deputados votariam a favor do impeachment. No do jornal O Estado de S. Paulo este número era de 344. Para que o processo seja encaminhado ao Senado, são necessários 342 votos favoráveis ao impedimento. AGENDAS Ontem, um dia antes da votação da abertura do impeachment no plenário da Câmara, a presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer, cancelaram suas agendas previstas para sábado para se concentrarem nas articulações em busca de apoio contra e a favor do afastamento, respectivamente. Dilma cancelou a visita que faria na manhã de ontem ao Ginásio Nilson Nelson em Brasília, onde se encontraria com representantes dos movimentos sociais que são contra o seu afastamento. Dilma quer dedicar o dia à consolidação de seus votos e, por isso, receberá, no Palácio da Alvorada, líderes de vários partidos, um a um. A presidente achou que, neste momento, é mais importante ela receber os líderes e manter o radar para amanhã, disse um interlocutor de Dilma. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia decidido não ir ao evento, no entanto, foi ao acampamento dos representantes dos movimentos sociais no lugar de Dilma para animar a militância e fazer com que o grupo permaneça nas ruas "gritando contra o golpe". Depois, Lula voltou ao hotel onde está hospedado para continuar recebendo deputados, na tentativa de reverter votos ou assegurar novas ausências na votação. Há uma guerra de números e o governo comemora o fato de ter conseguido virar alguns votos assegura, agora, que tem os 172 mínimos necessários. Mas a oposição também garante ter as 342 adesões pelo impedimento. O que demonstra a preocupação de lado a lado é que Dilma e seus ministros vão ficar nos palácios do Planalto e Alvorada conversando com parlamentares. Ao mesmo tempo, o vice-presidente Michel Temer, que ia ficar em São Paulo acompanhando a votação, decidiu voltar para Brasília para fazer suas articulações e desembarcou ontem cedo na capital federal, segundo a sua assessoria. Lula também tinha decidido ir para São Paulo, mas acabou preferindo ficar em Brasília negociando.