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BRASIL
Quinta-feira, 24 de Abril de 2008, 20h:53

INVESTIGAÇÃO

PF busca prostituição e encontra fraude

A princípio, as investigações eram para apurar denúncias sobre a prática dos crimes de tráfico interno e internacional de mulheres

ANNE WARTH,e SOLANGE SPIGIATTI e ADRIANA CHIARINI
Da Agência Estado – São Paulo
A Polícia Federal em São Paulo deflagrou ontem a Operação Santa Teresa na capital e no interior do Estado, que prendeu oito pessoas e o advogado do ex-prefeito Paulo Maluf Ricardo Tosto de Oliveira Carvalho, membro do Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A operação investigava uma organização criminosa que explorava a prostituição e acabou encontrando fraudes em concessão de empréstimos junto ao BNDES. Segundo a PF, as investigações tiveram início em dezembro de 2007 para apurar denúncias sobre a prática dos crimes de tráfico interno e internacional de mulheres e de exploração de prostituição. Após investigações, foi constatada também a existência de um esquema de desvio de verbas de financiamentos do BNDES. Uma quadrilha formada por empresários, empreiteiros, advogados e servidores públicos atua de forma a obter empréstimos do referido banco e a desviar parte dos valores em benefício próprio. A PF não soube informar qual a ligação entre as duas investigações. Pelo menos dois financiamentos concedidos pelo BNDES neste ano, segundo a PF, são objeto de fraude. Um deles, de R$ 130 milhões, foi concedido a uma prefeitura do Estado de São Paulo e outro, de cerca de R$ 220 milhões, a uma grande empresa do ramo varejista. A quadrilha desviava 4% dos valores de cada financiamento. As investigações indicam também evidências de práticas de licitações fraudulentas em pelo menos duas prefeituras paulistas, versando sobre a distribuição de obras por estas municipalidades. Em nota, o BNDES afirma que se colocou à disposição da polícia e que suspenderá os financiamentos que estiverem sob suspeita. NEGA O advogado e integrante do Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ricardo Tosto, negou todas as acusações por meio de nota do seu escritório de advocacia, o Leite, Tosto e Barros. "As operações em que uma empresa e uma prefeitura teriam supostamente sido beneficiadas por empréstimos do BNDES aconteceram antes de o advogado Ricardo Tosto integrar o Conselho do banco, não tendo, nem remotamente, a sua participação", diz a nota, referindo-se a operações investigadas O escritório também diz no texto que "a associação absurda com 'prostituição e tráfico internacional de mulheres' é uma aberração". O escritório "repele vigorosamente a acusação produzida" contra Tosto, que considera "divulgada com espalhafato irresponsável pela Polícia Federal". Promete tomar as medidas legais para fazer os responsáveis "por essa violência inadmissível" responderem por seus atos.

Edição EDIÇÃO 16967




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