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BRASIL
Quarta-feira, 20 de Junho de 2007, 20h:39

Perícia do INC desmonta defesa e complica Renan

ROSA COSTA
Da Agência Estado – Brasília
A perícia do Instituto Nacional de Criminalística (INC), da Polícia Federal, sobre os documentos apresentados ao Conselho de Ética pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), desmontou a defesa do senador para justificar a renda de R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos, com a venda de gado. O laudo mostra, por exemplo, que não foram apresentados notas fiscais sobre a venda de gado ocorrida em 2004, mediante as quais ele teria recebido R$ 236.144,32, identificados como "rendimento da atividade rural". Renan afirma que pagou as despesas da jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de três anos, com esses recursos. O laudo engrossa as suspeitas sobre a origem do dinheiro depositado nas suas contas, ao mostrar uma série de contradições nos dados da defesa de Renan. Segundo os peritos, "algumas" das Guias de Trânsito Animal (GTAs) supostamente de gado das fazendas de Renan, estão em nome de "outros vendedores", como sua mãe Ivanilda Calheiros, a quem caberiam "29 GTAs, correspondente a 508 animais", e a seu irmão Remi Calheiros, para quem há "uma GTA, por 20 animais". A perícia do INC deixa claro, também, que o senador tentou fechar um pacote de venda de gado na última hora, quando já tinha sido instalado o processo contra ele. Foi constatado que somente no dia 13 último, ou seja, na semana passada, é que uma das "compradoras de gado de Renan, a Stop-Comercial de Carnes e Derivados Ltda, se tornou "habilitada" no Estado a proceder à venda de carne. INC CONTESTA O secretário de Controle Interno do Senado, Shalom Granado, disse ontem que não tem fundamento a tentativa de desqualificar a perícia do Instituto Nacional de Criminalística (INC), da Polícia Federal (PF), com base nas informações que ele próprio obteve das secretarias de Fazenda e de Agricultura de Alagoas. Shalom disse que os dois laudos "são complementares". A diferença, segundo ele, é que a PF, por dispor de uma estrutura técnica maior, pode apontar "ressalvas" nos documentos ao contrário do que ocorreu com a equipe do Senado. Shalom explicou que seu trabalho limitou-se a checar a autenticidade formal dos documentos apresentados por Renan, sem avançar nas consultas para checar a veracidade das informações neles existentes.

Edição EDIÇÃO 16964




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