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BRASIL
Terça-feira, 04 de Maio de 2010, 20h:43

CONFERÊNCIA

Para setor, autorregulação coibiria falhas da imprensa

MARCELO DE MORAES
Da Agência Estado – Brasília, DF
Representantes das entidades de imprensa sinalizaram ontem com o apoio à proposta de autorregulação das atividades da categoria. Durante a 5ª Conferência Legislativa sobre Liberdade de Imprensa, realizada na Câmara dos Deputados, o vice-presidente da Associação Nacional dos Editores de Revistas (ANER) e vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Abril, Sidnei Basile, defendeu a ideia como a melhor forma de o setor coibir suas falhas no exercício do jornalismo e evitar que se "confunda o leitor" com a mistura de "opinião com notícia". "No regime da democracia representativa em que estamos no Brasil, a imprensa tem uma oportunidade ímpar de se configurar como uma instituição relevante para o aperfeiçoamento dos nossos costumes e instituições políticas. Refiro-me à necessidade, mais que isso, à urgência da autorregulação da nossa atividade", afirmou Basile. "Não há outro jeito. Temos um encontro marcado com a autorregulação, ainda que não tenhamos aceito plenamente esse convite. Tão mais tortuoso e torturado será nosso caminho, quanto por mais tempo adiarmos essa convergência da imprensa com seu destino", acrescentou durante o encontro, que foi aberto pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Embora ainda não represente a posição oficial de outras entidades, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a autorregulação já conta com o apoio pessoal de seus presidentes. "Eu sou francamente favorável. Acho que é importante nos posicionarmos. Já conquistamos muita coisa com a queda da Lei de imprensa. Mas acho que a própria sociedade veria com bons olhos se também tivéssemos essa atitude. Mas reforço: a ANJ está discutindo. A minha posição pessoal é essa. Mas a gente deve ter uma posição em breve", disse a presidente da ANJ, Judith Brito, depois do encerramento da Conferência. "Essa é uma discussão oportuna. Especialmente depois do julgamento da Lei de Imprensa, colocou-se essa questão. É o passo seguinte que está sendo amadurecido e debatido internamente. Mas é importante ressaltar que a autorregulamentação do setor não vai ser uma coisa nova. Porque as próprias empresas já têm seus códigos de conduta, seus princípios de atuação, suas regras de valores. Na verdade, é só o desafio de transportar isso que cada empresa tem individualmente para um contexto setorial envolvendo todos, a Abert, ANJ e ANER", concorda o presidente da Abert, Daniel Slaviero. Durante a realização do painel "O valor da democracia representativa na história recente do Brasil", o deputado José Genoino (PT-SP), criticou a cobertura dos trabalhos no Congresso feita pela imprensa. Afirmando que é "sadomasoquista" a relação entre Congresso e mídia, o petista, acusado de supostamente ter participado do chamado "mensalão do PT", reclamou que o acompanhamento jornalístico das atividades parlamentares busca excessivamente o "espetáculo" e prioriza "fofoca e escândalo". "Essa espetacularização gera uma visão banalizada do Poder Legislativo, que produz leis importantes para a sociedade", disse o petista, que afirmou que a cobertura da mídia "não é imparcial". "A mídia funciona hoje como uma espécie de Príncipe eletrônico", afirmou, em referência a um conceito trabalhado pelo sociólogo Octavio Ianni. "Ela é portadora de valores, de interesses, de uma engenharia. Por isso, não tem esse negócio de imparcial e neutro. Ela é um agente político", disse. O deputado também contestou as críticas feitas pela imprensa em relação à Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que propôs em seu documento final a adoção de mecanismos de controle de conteúdo da imprensa e outras medidas restritivas, além de restringir os temas para debate. "As conferências não representam ameaça nenhuma", garantiu. O segundo painel de debate discutiu o "Papel dos meios de comunicação no aperfeiçoamento da democracia representativa brasileira". O jornalista Eugênio Bucci, ex-presidente da Radiobrás, defendeu a liberdade de imprensa e o direito à informação como um "direito absoluto" para todos os cidadãos.

Edição EDIÇÃO 16967




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