Oposição recua e entregar relatoria da CPI das ONGs
EUGÊNIA LOPES
Da Agência Estado Brasília
Os tucanos devem entregar hoje para a base aliada o cargo de relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as Organizações Não-Governamentais (ONGs). A retomada da relatoria da ONGs foi a condição imposta pelos governistas para instalar a CPI da Petrobras e da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Protocolada há um mês na Mesa Diretora do Senado, a comissão de inquérito para apurar supostas irregularidades na estatal não começou a funcionar até agora e o governo se empenha para adiar ao máximo o início dos trabalhos de investigação. Uma reunião dos senadores do PSDB programada para hoje, no início da tarde, vai decidir sobre da relatoria da CPI das ONGs. A amigos, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), confidenciou que está disposto a abrir mão do cargo de relator do inquérito das ONGs. Os tucanos querem, no entanto, uma contrapartida para entregar o posto para os governistas. "Não é simples assim abrir mão da relatoria", disse Arthur Virgílio. Uma das reivindicações da oposição deverá ser em torno de um novo nome para o cargo de relator. Os oposicionistas não aceitam que o senador Inácio Arruda (PC do B-CE) volte para a relatoria da CPI das ONGs. Arruda era o relator das ONGs, mas deixou a titularidade desta CPI para ingressar no inquérito sobre a Petrobras. Ele foi obrigado a fazer isso porque o regimento interno do Senado impede que o parlamentar seja titular de duas comissões de inquérito ao mesmo tempo. A oposição aproveitou a saída de Arruda para pôr em seu lugar o senador tucano. Os oposicionistas querem ainda que o futuro relator aceite parte da proposta de trabalho apresentada na semana passada por Virgílio para a CPI das ONGs. A data de instalação da CPI da Petrobras não foi marcada pelos governistas, mas deverá ocorrer ainda esta semana. Será a quarta tentativa para que a comissão comece a funcionar. Na semana passada, não houve quorum para a instalação da CPI: apenas quatro dos 11 titulares da comissão apareceram à reunião agendada para abertura dos trabalhos. Os governistas estão determinados a tentar adiar o funcionamento da comissão. Uma das artimanhas que deverá ser usada pelo futuro relator é o pedido de um prazo grande para fazer um cronograma com todos os passos e sugestões de depoimentos para a investigação da Petrobras e da ANP. Com essa estratégia, o governo espera levar a instalação efetiva da CPI em banho maria. A ideia é encontrar uma saída para que ela comece a funcionar depois do recesso parlamentar de julho. Autor do requerimento de criação da CPI da Petrobras, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi à tribuna para avisar que estuda entrar com um mandado de segurança junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a instalação do inquérito.