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BRASIL
Sexta-feira, 20 de Maio de 2011, 20h:35

EVOLUÇÃO FINANCEIRA

Oposição quer CPI para investigar Palocci

São necessárias 198 assinaturas. A ideia é alcançar número necessário de nomes antes da próxima terça-feira para evitar que o assunto perca força no Congresso

Depois da divulgação que a empresa do ministro da Casa Civil Antonio Palocci, a Projeto, faturou R$ 20 milhões em 2010, ano eleitoral, PSDB e DEM decidiram colher assinaturas para tentar instalar a CPI no Congresso. A oposição decidiu pedir a abertura de CPI mista (Câmara e Senado) no Congresso para investigar a evolução de patrimônio do ministro. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou ontem um pedido de explicações ao ministro Antonio Palocci (Casa Civil) e deu 15 dias para que ele envie uma resposta sobre o aumento de seu patrimônio. Já o deputado Duarte Nogueira (SP), líder do PSDB na Câmara, começou ontem a recolher assinaturas para tentar criar uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) a fim de investigar as denúncias sobre a evolução patrimonial do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. O patrimônio dele cresceu 20 vezes nos quatro anos em que foi deputado federal. São necessárias 171 assinaturas, no mínimo, na Câmara e 27, no Senado. A ideia, segundo assessores da liderança tucana, é alcançar a quantidade necessária de nomes antes da próxima terça-feira para evitar que o assunto perca força no Congresso, devido à votação do novo Código Florestal – assunto considerado polêmico entre parlamentares e governo. Paralelamente à CPI mista, o PPS vai colher assinaturas para instalar uma comissão exclusivamente na Câmara - onde acredita ter mais chances de emplacar a sua criação. No Senado, a oposição conta atualmente com 19 parlamentares (incluindo dois do PSOL). Mas espera a adesão de dissidentes da base governista, especialmente do PMDB - cuja bancada de insatisfeitos na Casa vem aumentando nos últimos dias. BLINDAGEM "Há gente constrangida dentro do governo, o que pode ajudar na investigação. Acreditamos em defecções dentro da base governista", disse o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO). Para o líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), a "máquina de blindagem" do governo não vai impedir as investigações do Legislativo. "Temos que fazer tentativas de investigar. Também é uma forma de pressão para que o governo tome providências." Na Câmara, o líder do DEM, deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), afirmou que as novas denúncias complicam a situação do ministro. "As suspeitas deixam de ser apenas em torno das ações privadas do ministro e agora começam a ter uma conexão com o contexto eleitoral." A oposição também promete encaminhar um adendo à representação protocolada na Procuradoria Geral da República, esta semana, para informar o órgão sobre as novas denúncias contra Palocci. "Agora apareceu o cliente da época em que ele tinha a empresa de consultoria. O procurador tem elementos para determinar a instauração de inquérito civil público", afirmou Demóstenes. Segundo publicação do jornal Folha de São Paulo, a empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, faturou R$ 20 milhões no ano passado, quando ele era deputado federal e atuou como principal coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República. Segundo duas pessoas que examinaram números da empresa e foram ouvidas pela Folha, o desempenho do ano passado representou um salto significativo para a consultoria, que faturou pouco mais de R$ 160 mil no ano de sua fundação, 2006. O jornal também revela que uma das empresas clientes da Projeta era a WTorre, empreiteira que fez doações às campanhas do ministro e à de Dilma.

Edição EDIÇÃO 16967




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