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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

BRASIL
Sábado, 02 de Maio de 2009, 13h:17

"CRISE DAS PASSAGENS"

Oposição critica e chama de absurdas as criticas de Lula

EUGÊNIA LOPES e VERA ROSA
Da Agência Estado – Brasília
O deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) considerou ontem absurdas as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o uso indiscriminado da cota de passagens aéreas recebidas pelos deputados federais. Para Lula, essa discussão é uma "hipocrisia". O presidente da República admitiu ainda que, quando era deputado (entre 1987 e 1991), usou a cota de passagens da Câmara para levar sindicalistas a Brasília. Lula não acha correto, no entanto, o uso dos bilhetes para turismo na Europa. "A prática do presidente Lula é de banalizar a ética. Com essas declarações, ele está dizendo que ética é hipocrisia e todo mundo deve se locupletar", afirmou. Em sua avaliação, o presidente da República não sabe "separar o público do privado". "Ele (Lula) não tem noção de defender a correção no uso de recursos públicos. Ele é um mau exemplo de prática republicana", disse Madeira. O parlamentar tucano condenou o fato de o presidente ter usado sua cota para levar sindicalistas a Brasília. "Parlamentares darem passagens para sindicatos é errado, é uma transgressão", disse Madeira. "Os sindicatos devem ter renda para pagar passagens para seus dirigentes", observou. Ele argumentou ainda que os deputados não são eleitos para ficar pagando passagens para terceiros. A maioria dos deputados, no entanto, usou sua cota passagens com terceiros. São deputados de todos os partidos, incluindo o PSDB de Madeira. Segundo levantamento do site Congresso em Foco, 261 deputados usaram a cota da passagem aérea em viagens ao exterior, entre janeiro de 2007 e outubro de 2008. Foram 1885 voos internacionais. As viagens ao exterior pagas pela Câmara custaram R$ 4,765 milhões: R$ 3,021 milhões referentes aos bilhetes emitidos e R$ 1,744 milhão de taxas de embarque. A Câmara e o Senado baixaram regras rígidas para evitar uso indiscriminado das passagens aéreas. Nem deputados nem senadores poderão mais doar passagens para parentes e "conhecidos".

Edição EDIÇÃO 16967




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