BRASIL
Sábado, 05 de Fevereiro de 2005, 13h:26
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CARNAVAL/RIO
O desfile mais caro da história
Só a Mangueira, financiada por empresas estatais, revela o tamanho do seu suporte financeiro: R$ 4,5 milhões da Petrobras e Eletrobrás
LUIZ FERNANDO VIANNA e PEDRO SOARES
Folhapress - Rio
Quando a Mocidade Independente de Padre Miguel pisar na Marquês de Sapucaí hoje, às 20h, estará começando o mais caro desfile da história das escolas de samba. Além dos R$ 2 milhões repassados a cada agremiação pela Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) - R$ 360 mil da prefeitura e o restante, de publicidade e direitos de transmissão pela TV - as escolas conseguiram, entre patrocínios e apoios, mais de R$ 15 milhões. Só a Mangueira, financiada por empresas estatais, revela o tamanho do seu suporte financeiro: R$ 4,5 milhões dados por Petrobras e Eletrobrás. A Mocidade, patrocinada pela Tim, conseguiu cerca de R$ 1,5 milhão. Como sua mecenas é uma empresa italiana, a Mocidade exaltará a Itália, sua cultura e sua culinária. A escola do carnavalesco Paulo Menezes tem o difícil desafio de voltar a vencer, após nove anos, sendo a primeira das 14 escolas a desfilar, fato que nunca aconteceu no Sambódromo. Outras seis sucedem a Mocidade na avenida nesta noite. A primeira é o Império Serrano, nove vezes campeã, outrora grande, hoje apostando na tradição e na garra de seus componentes para não correr risco de rebaixamento. "A escola recebeu muita gente nova no ano passado [por causa da reedição do enredo "Aquarela Brasileira], está se modernizando e vem com carros muito bonitos, afirma Quitéria Chagas, 24, rainha da escola e que, sambando no chão, é um dos maiores destaques do Império. Em seu terceiro ano como carnavalesco do Salgueiro, Renato Lage -campeão três vezes pela Mocidade na década de 90- finalmente tirou da gaveta seu projeto de fazer um enredo sobre o fogo. Em 91, ele foi campeão falando da água. Lage abordará desde a descoberta do fogo pelo homem e o mítico Prometeu - herói grego que roubou o fogo de Zeus para dar aos homens- até a "chama que não se apaga, referência ao entusiasmo dos foliões. O Salgueiro estreará a atriz Carol Castro como rainha da bateria e também terá Gisele Itiê entre suas mulheres bonitas. No final do desfile, haverá uma homenagem aos bicheiros Waldemir Garcia, o Miro, e Waldemir Paes Garcia, Maninho, pai e filho que eram patronos da escola e morreram em 2004. Por conta de seu patrocínio, a Mangueira terá como enredo a energia. Para driblar a aridez do tema, o carnavalesco Max Lopes tentou expandi-lo: falará dos quatro elementos essenciais da natureza (ar, água, terra e fogo), das energias "positiva e "negativa e da energia do carnaval. A escola fará um desfile milionário e, no que depender de seu carnavalesco, inovador. Lopes diz que dividiu as alas verticalmente, cada lado vestindo uma fantasia diferente, e que adotará um estilo "barroco futurista, por conta da riqueza de detalhes. A vice-campeã Unidos da Tijuca, a grande surpresa de 2004, repetirá a fórmula de trazer alegorias humanas para a avenida, como fez no impressionante carro do DNA: o abre-alas deste ano terá 247 pessoas. O enredo de Paulo Barros sobre lugares imaginários - que só existem na mitologia, em livros e escritos religiosos- terá Dom Quixote, de Cervantes, apresentando ao público lugares como o Sítio do Pica-Pau Amarelo. A primeira noite se encerrará com duas escolas menores, mas que vêm impulsionadas por patrocínios: a Tradição, financiada por empresas do setor, falará da soja; a Vila Isabel, com apoio da indústria naval, apresentará "Singrando em Mares Bravios... Construindo o Futuro''. Dissidência da Portela que nunca conseguiu se firmar como uma escola grande, a Tradição aposta na criatividade de seu carnavalesco Mario Borrielo, campeão em 1993 pelo Salgueiro com o enredo "Peguei um Ita no Norte. O enredo da Vila é de Joãosinho Trinta, que está internado depois de um segundo derrame e não irá à avenida. O Carnaval foi completado pelo assistente Vany e falará dos mares sob vários aspectos: a Arca de Noé, as Grandes Navegações e, é claro, a construção naval no Brasil. A falta de Joãosinho é lamentável, já que foi ele o principal carnavalesco da era milionária dos desfiles, esta que chega em 2005 a seu ápice. A ele é atribuída a frase "quem gosta de miséria é intelectual; pobre gosta de luxo. Se, em 2005, tanto luxo será sinônimo de originalidade ou mero esbanjamento, as escolas começarão a dizer hoje.