BRASIL
Quinta-feira, 25 de Março de 2010, 21h:01
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LULA
Novo presidente terá de recriar CPMF
JOSÉ MARIA TOMAZELA
Da Agência Estado Sorocaba
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o próximo presidente terá de encontrar um substituto para a CPMF, o antigo imposto sobre o cheque extinto em 2007, para bancar a saúde. "Quem quer seja presidente da República depois de mim vai ter que discutir mais dinheiro para a saúde. Não tem alternativa. Não é possível fazer saúde neste país sem dinheiro, pois custa caro." Na presença do governador José Serra (PSDB), que deixa o cargo dia 31 para disputar a Presidência, Lula criticou a oposição no Senado por ter conseguido impedir a prorrogação da CPMF e considerou a atitude uma mesquinharia. "Fiquei muito magoado e ofendido quando a minha oposição no Senado derrubou a CPMF. Não conheço um empresário no Brasil que reduziu do custo do seu produto 0,38 por cento, que é o que a gente pagava no cheque. Entretanto, tiraram da União 40 bilhões de reais por ano." Discursando antes de Lula, Serra havia cobrado melhorias no sistema de saúde, mesmo tendo considerado o Serviço Único de Saúde (SUS), o melhor da América Latina. "Temos de torná-lo cada vez melhor, com atendimento mais de primeira classe. Não podemos ter na saúde atendimento de primeira e de segunda classe." O clima de embate político dominou a solenidade de entrega de 650 ambulâncias do Serviço Móvel de Urgência (Samu), na empresa Rontan, em Tatuí, a 137 km de São Paulo - os veículos estavam prontos desde o final de fevereiro. No palco, além do presidente e do governador, estavam a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à sucessão de Lula, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e o presidente da Câmara dos Deputados Michel Temer (PMDB-SP), além do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e outros parlamentares, entre eles Jader Barbalho (PMDB-PA). Lula repetiu críticas à imprensa, alegando que, se não estivesse na entrega das ambulâncias, o evento não mereceria "nem uma notinha de rodapé". Aplaudido pelos dois mil trabalhadores da empresa, fez brincadeiras e se considerou "quase um portador de deficiência" por ter perdido um dedo mínimo em acidente de trabalho. "Fosse hoje, teriam implantado o dedo", disse, depois de criticar o elitismo da saúde no Brasil.