GERUSA MARQUES e CAROLINA FREITAS
Da Agência Estado Brasília
O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, rebateu ontem as críticas da oposição de que a Operação Castelo de Areia da Polícia Federal - que descobriu doações supostamente irregulares da empreiteira Camargo Correa para partidos políticos - seja eleitoreira. "Em operação da polícia ninguém interfere. O fato de ser eleitoreira ou não depende das partes contrariadas", disse Múcio, ao chegar à Confederação Nacional da Indústria (CNI) para o lançamento da agenda legislativa com propostas da entidade para o Congresso Nacional. "A gente torce para que não prolifere a impunidade, mas também para que não prolifere os atos de injustiça", afirmou o ministro. Segundo Múcio, é mais importante que as investigações sejam feitas antes dos fatos serem divulgados. No entanto, disse que uma eventual inibição do trabalho da Polícia Federal pode resultar na conivência com ações ilegais. Para José Múcio está havendo uma confusão entre doação ilegal e doação legal para campanhas políticas. "E isso atrapalha", disse. Segundo ele, todas as doações legais estão registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Eu me preocupo muito porque você divulga e depois vai ver que foi lícito", ponderou. PEDIDO O presidente da seção de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Luiz Flávio Borges D'Urso, pedirá ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Gilmar Mendes, que a lei de inviolabilidade de escritórios de advocacia seja estendida a departamentos jurídicos de empresas. O requerimento foi motivado por ação da Polícia Federal (PF) durante a Operação Castelo de Areia, na semana passada. Os policiais federais vasculharam o departamento jurídico da construtora Camargo Corrêa em busca de indícios de envolvimento de diretores em esquema de financiamento ilegal de campanha política e envio de remessas ao exterior.